domingo, 13 de julho de 2008

"cheio de Deus, não temo o que virá"



"D. Fernando, Infante de Portugal

Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.

Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
A esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro de mim a vibrar.

E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma."

Fernando Pessoa

segunda-feira, 7 de julho de 2008

kiss the flame











*

"O que me dói não
É o que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou sonhar o amor

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma."

Fernando Pessoa


"Please love let's make no impartial vow
Let all fall away
That's not crucial now
I want a brave, brave love, one that makes me weak in the knees
I want a crazy, crazy love
One that makes me come undone at the seams
'Cause I'm tired of all these pilgrims, these puritans, these thieves
Of all these unbelievers
who whittle love down at the knees
Let these swift roads destroy themselves
Let the world fall into its sleep
For we shall be spared
We shall be left standing
To face what's left of concrete and honey
Kiss the flame
Let's run with the hunted, the untamed
Kiss the flame
Embrace the faceless, the unnamed
Kiss the flame
There are nightmares on the sidewalks
There are jokes on TV
There are people selling thoughtlessness
with such casualty
But wherefore art thou Romeo
where have all the brave men gone
Show me one man who know his own heart
To him I shall belong
Kiss the flame
Let's run with the hunted, the untamed
Kiss the flame
Embrace the faceless, the unnamed
Kiss the flame
Kiss the flame
Kiss the flame
Please love let's make no impartial vow"

Jewel


a fada dos dentes


(escrito em 16/6/08)

A fada dos dentes passou por aqui.
Passou por aqui e matou meu amor.
A fada dos dentes arrancou meu coração sem piedade.

Destruiu.
Moeu.
Roeu.
Mutilou.

A fada dos dentes levou meu coração embora.

Mas me deu lucidez.
Me deu um espelho.

No lugar do coração, ganhei lucidez e um espelho.

Que eu faço com isso?

*****

(escrito em 7/7/08)


A fada dos dentes voltou.

Ela quer mesmo levar meu coração.

Por favor, deixa aqui...
Faz assim não...

Deixa aqui meu coração!
(talvez eu precise dele)

*****

quinta-feira, 3 de julho de 2008

fim de uma era




Fim de uma Era.

Dia 30 de junho de 2008, um dia para entrar na História.

Foram gerações e gerações.

Minha bisavó já morava lá.
Meu pai morou lá desde os 17 anos.
Meus pais se casaram e foram morar lá.
Nasci naquela rua.
Fui morar lá.
Casei e quis ir para lá.
Vivi lá por 6 anos.
Lá nasci, lá cresci, lá permaneci.

Aquele céu...
Aquela luz...
Aquele clima...

Tudo igual, tudo sempre igual, muito igual.

Meus pais foram infelizes, eu fui infeliz.

Agora parece que acabou.

Fui humilhada, fui violentada, fui machucada de todas as formas. Meu corpo e meu coração foram perfurados. Mas eu sobrevivi, parece que eu sobrevivi (eu acho).

Também não posso dizer que fui infeliz de todo, fui feliz. Fui feliz sim.

Tive uma infância divertida. Sonhei, fiz planos. Quis ter filhos, quis ter animais. Tinha até alguns dias em que eu amava e me sentia amada. Pela minha família, pelo meu marido.

Tudo bem, as coisas não funcionaram como eu gostaria. Mas talvez tivessem sido diferentes se eu mesma me esforçasse para uma permanência.

Mas não.
Tudo sempre foi muito provisório.

Eu queria, mas não muito.
Eu amava, mas não o suficiente.
Eu cuidava, mas não como deveria.
Não me esforcei para me impôr. Abandonei minha personalidade. Aos poucos fui abandonando a própria vontade de viver.

Minha casa tornou-se a materialização da minha alma.
Antiga, remendada, nunca suficiente. Os anos se passavam e o caos permanecia. Provisório virando permanente. A alma e a casa eram apenas promessas.

Cansei de lutar. Não estava lutando com as armas certas. Talvez não estivesse lutando com as armas de quem realmente quisesse vencer a guerra.

7 anos de casamento.
Faríamos 7 anos no dia 29 de julho. Minha vez de levar pra passear. minha vez de fazer surpresa. O dia mais importante do mundo, mais importante que o próprio aniversário, feriado internacional. Agora chega, agora acabou. Saí de casa faltando 1 mês para completar 7 anos. De propósito? Foi. Foi sim. Não poderia suportar mais um aniversário sem tentar o suicídio.

Como diria Fernando Pessoa: "Vivi, chorei, amei e até cri. E hoje não há homem no mundo que não inveje só por não ser eu."

Adquiri trumas. Contraí pânicos, medos, horrores. Preciso de tratamento.

Pode até ser o fim de uma Era física. Porém, um pedaço da minha alma continuou lá. Continuo me referindo àquele homem como "meu marido". Continuo me referindo àquele lugar como "minha casa". Ainda não me acostumei. Ainda nem entendi. Nunca conheci outro lugar que pudesse chamar de lar, nunca conheci outra realidade que não fosse aquela. Aquela era a minha realidade. Aquela É AINDA a minha realidade. Parece que vou acordar e estar lá. Parece que vou acordar e estar na minha cama, com ele ao meu lado, me chamando de "meu bem". Que pena. Que triste.

Mas eu ainda não decidi se o triste foi ter terminado ou se o triste foi ter começado.

Não sei se estou chegando ou se estou partindo. Mas agora eu tenho certeza de que estou em movimento.


"Todo começo é involuntário.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário e inconsciente.

À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
"Que farei eu com esta espada?"

Erguste-a, e fez-se."

eco

- Filha
- Irmã
- Esposa
- Amiga
- Companheira
- Aluna
- Estudiosa
- Trabalhadora
- Prendada
- Amorosa
- Querida
- Amada
- Respeitada
- Linda
- Desejada
- Admirada
- Jovem
- Magra
- Linda
- Triste
- Vazia
- Sozinha
- Perdida
- Cansada
- Cansada
- Cansada
- Triste
- Decepcionada
- Vazia

Coração. Eco.

- Filha
- Irmã
- Esposa
- Amiga
- Vazia

Coração. Eco.

- Cansada
- Sozinha

Noite. Silêncio.


...


Coração. Eco.


...


Remédio.
Muito.
Muito.
Muito.


...


- Deitada
- Sozinha



Noite.
Eco. Coração.


Silêncio

Moringa


MORINGA

Anibal Beça ©


Rego tua língua fresca
com água de sílabas
enquanto pétala de argila
um alfabeto sua poroso
no barro da palavra.

Boca de argila furtiva
carregas um deserto
na aridez do desejo
mas é dentro de ti
que brota o silêncio do cacto.

Falo do meu oásis
(envenenada miragem)
bebes e matas tua sede
samaritana
suicida
saciada.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A consciência do que lhe paralisa


" A consciência do que lhe paralisa

Este primeiro arcano representa a síntese de seu momento afetivo. Uma carta que serve como prévia dos principais aspectos que cercam a questão. Descubra nesta posição o potencial básico do que perguntou.

O arcano XII, chamado “O Homem Pendurado”, emerge como significante central de sua questão afetiva, Gabriela. Este arcano retrata uma situação de paralisia no que diz respeito aos assuntos do coração. Você pode ter a nítida sensação de que há alguma força, lembrança ou circunstância bloqueando o livre fluir do amor em sua vida, como se algo estivesse a lhe atar, amarrar. Este “nó”, vale dizer, é interior e apenas você pode resolvê-lo. Não adianta muito projetar para fora a responsabilidade pelos seus problemas amorosos, buscando a “culpa” em algo exterior. O amor, como qualquer outra coisa em nossa vida, é um investimento. Se você investe, ou investiu em algo que não lhe deu o retorno esperado, é porque lhe falta (ao menos até o presente momento) a capacidade do bom julgamento e é isso que deve ser cultivado: o poder de bem escolher. Enquanto você não assumir a responsabilidade pelos seus processos afetivos, manter-se-á com a alma paralisada, sentindo que a vida passa, mas você fica do mesmo jeito.

O Homem Pendurado é também a imagem dos sacrifícios que muitas vezes precisamos fazer para que a nossa vida amorosa flua, funcione. Quais são os hábitos, aspectos ou tendências de sua vida que lhe empatam de viver o amor em sua forma mais elevada? Este é um arcano que ressalta a importância da espera, Gabriela. Ainda que você se tome pela ansiedade, pelo medo, você compreenderá que existem momentos de nossa vida em que nada acontece e que é preciso realizar uma criteriosa investigação interior a fim de que possamos romper com os padrões que nos impedem de obter a tão almejada felicidade. "

Entra lá e tira sua "sorte" (?): www.globo.com/egoastral
Isso aí é a minha primeira carta de um jogo de tarô do amor.