segunda-feira, 27 de abril de 2020

Querido Diário

Querido Diário, caramba, faz tanto tempo...
Tanto tempo que a gente se fala.
Na verdade ja faz muito tempo que nao falo comigo mesma.
A ultima vez que escrevi foi em 2011.
Quase 10 anos depois tive 3 filhos e vivo uma vida de merda.
Meus filhos sao incriveis, sim, meus filhos são incríveis.
Mas nada aconteceu como eu tinha previsto.
 Aquela jovem cheia de energia, cheia de sonhos, promissora, se tornou uma velha gorda, cheia de estrias e cabelos brancos.
Que nao gosta de cozinhar, que nao gosta do marido, que nao gosta de muitas coisas.
Chata. Sem assunto. Desinteressante.
Procurando nos outros, do lado de fora, um assunto que possa ser desenvolvido.
Fui morar em Paris, que merda, quem diria que Paris é uma merda.
Pior do que Bangu com Coronavirus.
Me casei com uma porra de um pobre, nao so de dinheiro mas de vitalidade.
Faz 4 anos que nao vou ao Brasil. 4 anos que nao vejo meu pai, meus amigos, meus avos.
Que nao recarrego minhas baterias onde, um dia, achei que era a minha casa.
Me casei com um homem que além de nao me oferecer uma vida decente, nem a mim e nem aos meus filhos, é alguém com quem eu nao tenho vontade de compartilhar absolutamente nada.
Nao odeio ele. Também nao amo. É o pai dos meus filhos. É isso que é então, ter um pai dos filhos?
Alguém poderia ter me contado antes deu assinar essa porra de contrato?
Lembro de quando eu morava em Rio das Ostras.
Eu ja tinha conhecido esse excunjuro, mas ele nao era nada pra mim.
Eu tinha uma amiga, a Pomy. Ela era tao linda...
 A gente ria, se divertia, saia, bebia, tomava sol. Como a gente era linda.
Nao precisava de mais nada, a gente so precisava ser aquilo, jovem e linda.
E parecia que depois tudo ia dar certo so porque a gente era jovem e linda.
Eu beijava a boca de um moreno lindo, cheiroso, com perfume de piprioca.
Eu nao queria viver com ele, so queria beijar aquele homem lindo.
As coisas eram boas naquela época.
Nao tinha a França, nao tinha virus. Nao tinha morte. Nao tinha limbo.
Converso com meus filhos sobre a Teoria da Relatividade.
Jesus. Eternidade, imortalidade, fisica quântica.
Eles sao tao pequenos, mas eles têm que entender que tudo isso nao existe.
Quero acreditar que nao estou presa aqui, porque assim como Jesus, eu nao existo.
Nao existe o passado, nao existe o futuro e nao existe o presente.
E eu nao tenho que me deitar ao lado desse homem que eu nem sei se eu nao amo.
Queria comprar roupas novas, passear, ir na casa da minha avo.
Viver como se o futuro fosse bom e como se eu nao precisasse realmente me preocupar com isso porque estava tao longe.
Sem ter que me preocupar se vamos ter dinheiro pra pagar o aluguel.
Porque é claro, que se eu sair daqui, que é tao bom, que eu sou linda, jovem e tomo sol, nao é pra ir morar num pais excroto de gente excrota onde faz frio e eu nao tenho dinheiro nem sentido.
Uma das primeiras coisas que me chamou atenção aqui na França foi uma placa numa estrada.
Um lado tem escrito "Toutes les directions" e o outro "Autres directions".
Como podem haver outras direções além de todas?
Hoje é isso que eu quero encontrar, outra direção que nao seja as mesmas, todas, alguma outra solução que nao seja as obvias.
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*
A musica de hoje é Pernambucobucolismo
*
Eu vou fazer
Um movimento, amor
Uma canção pra inventar o nosso amor
Eu vou fazer
Uma revolução
Eu vou pra Londres, vou pra longe
Sei que vou
Onde luar
Não há igual aqui
Igual aqui não há
Outro lugar
Eu sinto bucolismo
Eu sinto bucolismo
Pernambucobucolismo
Eu vou fazer
Um movimento, amor
Uma canção pra inventar o nosso amor
Eu vou fazer
Uma revolução
Eu vou pra Londres, vou pra longe
Sei que vou
Onde luar
Não há igual aqui
Igual aqui não há
Outro lugar
Eu sinto bucolismo Eu sinto bucolismo Pernambucobucolismo Pernambucobucolismo






terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Mercedes Benz


Faltando 10 dias pra virada do ano, é o momento de me fazer muitas perguntas. Observações.

Achei uma agenda dele de 2009, onde escreveu alguns pensamentos antes de ir me reencontrar no Brasil. Disse que estava angustiado porque estava muito apaixonado e sabia da delicadeza do sentimento. Que eu era uma pérola, que possivelmente era a mulher da sua vida. Tanta emoçao... Queria saber pra onde foi essa emoçao. Por que, se ele tinha tantas questoes sobre se seria digno desse amor, ja chegou com pedras na mão. Me pergunto por que os homens não conseguem fazer as mulheres felizes. Por que é tão dificil. Ontem fui a um desses jantares de franceses e conversando uma moça ela me disse que esta faz quatro anos com o moço, que sim gostaria de se casar mas que por vezes se pergunta se ele é o certo. Tentei explicar que a gente nunca sabe se é o certo, porque nunca é o certo. Eu amo o meu marido, mas eu o detesto também. Viver com ele me asfixia, mas não posso viver sem, se nos escolhemos é o destino que quer que fiquemos juntos e devemos nos adaptar.

Vi no jornal na TV uma cena na China que parece uma sintese dos nossos tempos. Uma camera registra os passantes. Uma menina de dois anos se perde da familia e anda no meio da rua. Vem uma caminhonete e passa com a roda por cima. O motorista para e percebe que atropelou uma criança. Passa com a outra roda por cima, mais uma vez, esmigalhando a pobrezinha. Apanhado pelas autoridades, ele disse que fez isso porque se apenas a atropelasse teria que pagar X mil dinheiros, mas se ele morresse teria que pagar menos da metade. Enquanto isso a menina, amassada no chao que nem patê, se estremece ainda viva. Varias pessoas passam do lado, por cima, maes com crianças, bicicletas, gente de todo tipo, ninguém para, ninguém se importa. Até que a mae da menina aparece e pega o que sobrou dela no chao, correndo pro hospital. Da pra ver que ainda sobraram pedaços pelo chao.

Fazendo uma outra leitura do meu mapa astral, descobri que preciso trabalhar a minha criatividade, de forma terapêutica. Se nao conseguir criar, nao vou conseguir ter filhos. Nao vou conseguir avançar na vida, nao vou conseguir um monte de coisas. Disse também que preciso do meu espaço, que nao consigo viver com marido. Disse que nao consigo ser fiel e disse mais uma porçao de coisas. Faz anos que nao desenho. Anos que nao crio nada, nadinha. Peguei papeis, lapis, canetas, recortes, tudo dormindo comigo na cama, pra ver se tenho um lampejo de vontade de vomitar alguma cor. Romain foi viajar com o pai e o tio, pra casa de campo. Gosto de ficar sozinha, tenho mais tempo para ser eu mesma. Nao sei se ainda vou conseguir criar em 2011.

Me pergunto de onde viemos e para onde vamos. Trabalho num dos maiores templos de consumo do mundo. Tenho vergonha de dizer pros clientes o quanto eles devem pagar por uma, duas, três peças de roupa. Mais do que eu ganho no mês inteiro. Mais do que seria necessario para varias familias comerem. Para investir num pequeno negocio, comprar um carro, abrir umas cisternas. Acho que as pessoas deveriam parar de ver televisao como se fosse a vida dos outros e entender que além de entretenimento também é um espelho, também reflete a vida deles. Tem partes de nos passando fome, tem partes que estao sofrendo de solidao, de abandono, de negligência, de sede, de vazio... Até que ponto tentamos eliminar o egoismo mesmo dentro da nossas relaçoes diretas, ao minimo ajudar o proximo bem proximo. Do jeito que as coisas andam, seria bom o mundo acabar. Esta fazendo 8 graus, fim de dezembro, Paris. Acho que esse ano nao vai nevar e acho que o aquecimento global ta de vento em poupa.

*
A musica de hoje é "Mercedes Benz".
*

"Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz ?
My friends all drive Porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So Lord, won't you buy me a Mercedes Benz ?

Oh Lord, won't you buy me a color TV ?
Dialing For Dollars is trying to find me.
I wait for delivery each day until three,
So oh Lord, won't you buy me a color TV ?

Oh Lord, won't you buy me a night on the town ?
I'm counting on you, Lord, please don't let me down.
Prove that you love me and buy the next round,
Oh Lord, won't you buy me a night on the town ?

Everybody!
Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz ?
My friends all drive Porsches, I must make amends,
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz ?

That's it!"
*
*
*

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Inveja do pênis


*
Não sei porque você sempre me liga pra dizer que vai chegar. Por que simplesmente não chega?
*
Começo a perceber que os meus grandes motivos de insatisfação pessoal vêm da famosa idéia do "complexo de inveja do pênis", seja la o que isso for. Vivo cuspindo para mim e para o mundo que mesmo que eu não seja realizada profissionalmente eu tirei a sorte grande de encontrar "o amor da minha vida". Não sei o que encontrei e nem sei se estava procurando. Quando eu era pequena, a minha primeira vocação - por assim dizer - era pra ser cantora ou instrumentista. Fazer musica, como meu pai. Não sei se não tinha talento ou se não insisti. Fiz aulas, desisti, tentei novamente, desisti, por diversos motivos plausiveis. Dai entrou o primeiro marido na minha vida, com quem fiquei 7 anos. Não consegui aceita-lo porque tinha inveja dele. Começamos a competir, queria ser melhor do que ele e não consegui. Desisti, desisti, desisti de um montão de coisas. Não cheguei nem no inicio do caminho. Comecei a tentar imitar a minha mãe, começou a dar certo. Conseguimos trabalhar juntas e melhorar juntas. Dai eu conheci outro homem, casei novamente e resolvi ter inveja dele. Agora me vejo novamente perdida porque quero imita-lo, competir e tentar ser melhor. Não sei se quero por causa dele ou porque realmente poderia ter talento para o assunto. Como para os outros dominios em que eu imitava. E de tanta raiva de imitar começo a não conseguir mais rezar, por ter raiva de invejar o pênis de Deus. Não sei quem eu sou, pra onde e porque eu vou e passo a vida a tentar ser como os outros porque não tenho coragem de ir a fundo de mim mesma, tentar descobrir o que é que eu, euzinha poderia querer. Me sinto sem independência, frustrada, apatica. Volto a sonhar com fuga, fuga, fuga. Animais ferozes, maremotos, monstros. Fazia tempos que não sonhava que estava fugindo. Fazia tempos que não me via em uma situação que quisesse fugir. Não sei como me trabalhar para que eu seja eu mesma e pare de fugir so porque é dificil. Alterno entre a subserviência e a rejeição. Ou eu quero dar tudo, ou se não aceitar, me esquece. Gostaria de não ser tão radical. Gostaria de não mudar tanto de idéia. Gostaria de encontrar as respostas, mas eu nem sei quais são as boas perguntas. Gostaria de poder escrever coisas boas, positivas, exemplos. Aos 30 anos eu não sou um exemplo de nada. Sou alguém que "até tinha talentos", que "poderia ter conseguido de tentasse". Se tentasse o quê? No fundo sou uma covarde de marca maior. Vivo criando desculpas para abandonar de uma vez por todas os pontos em que estava. So gostaria de ser velha, de ja ter vivido, de ja ter passado, de saber que fiz a escolha certa.
*
Eu sei muito bem ter 3 relações sexuais por dia, mas sei também, muito bem, não ter nenhuma.
*
Se você me quiser, vai ter que me conquistar.
*
Estou cansada.
*
Fico aqui cozinhando essa minha raiva de você. Não sei onde isso vai dar. Hoje eu não tenho nenhum amor no coração, estou seca. Me afastando dos amigos, da familia, de mim. Não sei quem eu sou e nem pra que sirvo. Estou perdida, bagaço. Não chego a ter pena de mim porque nem pena eu mereço. Vão acabar me botando pra fora. Quero ir embora desse pais. Preciso focar agora, focar, focar, focar. Preciso marcar minhas cirurgias e esquecer essa idéia idiota de ser mãe. Arrancar os meus dentes, cortar os meus pés, triturar meu coração, me mutilar. Preciso de automutilação, poda. Preciso me podar pra ver se vou brotar na primavera.
*
Minha criatividade esta bloqueada, você bloqueia a minha criatividade. Eu era alguém muito mais interessante antes de você chegar, hoje eu sou o bagaço da laranja.
*
Preciso aceitar o silêncio e tentar criar, mas para dentro. Preciso voltar a fotografar. Preciso aprender a nadar. Preciso respirar. Preciso tratar da minha bronquite. Preciso parar de fumar de uma vez por todas. Preciso aprender a pensar com a minha cabeça. Preciso parar de me preocupar tanto, tanto com os outros. Preciso organizar a minha nova série de ginastica e ficar forte, ficar forte de dentro e de fora. Preciso ir embora dessa loja, preciso ir embora dessa gente, preciso sair desse pais e dessa cultura de merda. Preciso voltar a ser o que eu fui (o que eu fui durante alguns meses). Talvez eu precise fazer o caminho de santiago, talvez eu precise encontrar uma igreja. Preciso de liberdade. Preciso subir no quinto andar para tirar uma foto com Papai-Noel. Preciso encontrar um jeito de fugir dessa festa de Natal com a familia dele, que tenho certeza de que vai me deprimir. Preciso ligar pra todos os meus amigos queridos. Preciso parar de precisar da aprovaçao de meus maridos, pais, deuses. Preciso parar de querer ser aceita. Preciso amar as pessoas como se não houvesse amanha. Porque se você parar pra pensar na verdade não ha amanha. Preciso saber se o mundo vai acabar ou se ja acabou e a gente nao percebeu.
*
A musica de hoje é "Teatro dos Vampiros".
*
"Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto.
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos.
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir.
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir...
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar.
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
*
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém."

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

when doves cry



Fazendo meu balanço pré-30... Pois é, chegou pra mim também. Faz tanto tempo que eu não escrevo e finalmente é isso ai, vou fazer 30. Eu, que comecei a escrever esse blog com 26 anos, ainda me lembro do momento em que comecei. No momento em que tive mais coragem do que nunca, no momento em que resolvi quebrar correntes e sair de um relacionamento frustrado, no maior estilo "qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz"... Naquela época eu ainda era jovem, agora parece que eu tô virando adulta, com todos os seus contratempos.

Dai eu fui morar na casa da minha tia, em Santa Teresa, me diverti horrores, vivi como uma adolescente, saindo com meus amigos, namorando, trabalhando no meu proprio negocio, livre, livre... Dai eu conheci um francês, um novo capitulo da historia. Dai eu resolvi abandonar a minha adolescência e a minha liberdade e enfrentar um novo mundo, além-mar.

Descobri um novo planeta: nova casa, nova familia, novo idioma, novos amigos... Sofri, cai, levantei, aprendi, chorei, enxuguei, sobrevivi. Vai fazer dois anos daqui a 2 meses, 2 anos nessa linda selva de pedra chamada Paris. Que antes eu detestava e hoje eu amo.

Aprendi a amar o meu marido, aprendi a detesta-lo também, todos os dias, todos os dias amando e detestando. Ele não é facil, eu também não.

Acho que no fundo eu continuo sonhando com o principe encantado, e continuo sonhando que o meu principe encantado seja o meu marido. É engraçado como as historias e situações se repetem, o tal do "museu de grandes novidades". Me cansa porque eu vivi precocemente todas as situações que hoje estou vivendo digamos, no momento certo. O que deveria me dar experiência de saber lidar com a situação me transforma numa velha chata dando conselhos a mim mesma: eu avisei...

Mais uma vez o meu marido esta viajando e eu me digo que me acostumei. Deveria me acostumar a ficar sozinha, mesmo porque eu fico bem melhor sem ele do que com ele. Porque, afinal, eu continuo naquele ciclo de achar que se ele esta feliz eu estou feliz, entao eu faço de tudo e mais um pouco para que ele, ele, ele, fique feliz e satisfeito com o seu dia-a-dia. Ele me cansa como uma criança com todas os seus questinamentos que nao tem e nunca terao respostas.

Perdi um bebê e me sinto um pouco chocada com o quanto isso me transformou negativamente. Fez com que eu me afastasse de Deus, que eu me sentisse de certa forma abandonada por um poder supremo que deveria me conduzir somente à coisas boas. Perplexa por perceber o quanto hoje eu nao queria esse bebê. Que encontrei um trabalho e que até gosto do meu trabalho, que espero uma promoçao e que um bebê so atrapalharia a minha vida. Espero nao me transformar em mais uma dessas francesas que pensam mais na carreira do que na familia.

ÀS vésperas do meu aniversario de casamento, às vesperas do meu aniversario de 30 anos, eu continuo sonhando com surpresas. Continuo querendo que num passe de magica todas as coisas se transformem positivamente, inclusive eu. Hoje me olho no espelho e nao gosto nem um pouco do que eu vejo por dentro. Não sei o que me espera em termos de amadurecimento. Quanto mudei desde que desci daquele aviao ha 2 anos atras... Eu era uma menina assustada e hoje eu sou uma mulher que defende seus direitos no grito. Mas de quê adianta gritar se ninguém escuta? Sinto que meu ano que vem vai ser um ano de distância e reflexao...

Acho triste pensar que apesar de ter vivido quase a minha vida inteira no Brasil sao poucas as pessoas de quem eu sinto saudade de verdade, pessoas que eu gostaria de ver frequentemente. Que hoje a maioria dos meus amigos estao aqui e que sao poucos os que eu posso telefonar em um momento de vazio existencial. Quanto mais as pessoas crescem, menos tem tempo para filosofias. Acho triste também que cada vez eu escreva menos, ainda mais porque esse sempre foi meu sonho. Quanto mais os anos passam, menos perto a gente fica dos nossos sonhos, quando sempre achamos que seria o contrario. Vejo que tenho que construir para mim mesma um exemplo, que tenho que ser o que eu gostaria de admirar. Um pouco frustrante e egocêntrico, com certeza. Acho que eu tenho me tornado uma pessoa sozinha e egoista.

Gostaria que meu marido sentisse saudades de mim e me tratasse como uma princesa. Ja pensei em arrumar um amante mas, honestamente, acho que me causaria mais problemas do que soluçoes.

Todos os meus planos para o ano que vem sao egoistas, todos ligados à trabalho, evoluçao intelectual, fisicos, consumistas. Acho mesmo que tenho me transformado em uma pessoa ruim. Nao sei se estou pronta para ser mae. Acho que meu marido também é uma pessoa ruim, mas pelo menos ele é ignorante, inocente. Ignorando a consciencia, evitando a filosofia, ao menos ele pode dormir com a consciencia tranquila. Acho que nao vai tardar o tempo em que vamos começar a ter que fingir que somos felizes.

Sinto saudades dele, mas acho que fico melhor sozinha, porque eu nao acho que ele sinta saudades de mim.

*

A musica de hoje é "When Doves Cry".

*
*
*
"Dig if u will the picture
Of u and I engaged in a kiss
The sweat of your body covers me
Can u my darling
Can u picture this?

Dream if u can a courtyard
An ocean of violets in bloom
Animals strike curious poses
They feel the heat
The heat between me and u

How can u just leave me standing?
Alone in a world that's so cold? (So cold)
Maybe I'm just 2 demanding
Maybe I'm just like my father 2 bold
Maybe you're just like my mother
She's never satisfied (She's never satisfied)
Why do we scream at each other
This is what it sounds like
When doves cry

Touch if u will my stomach
Feel how it trembles inside
You've got the butterflies all tied up
Don't make me chase u
Even doves have pride

How can u just leave me standing?
Alone in a world so cold? (World so cold)
Maybe I'm just 2 demanding
Maybe I'm just like my father 2 bold
Maybe you're just like my mother
She's never satisfied (She's never satisfied)
Why do we scream at each other
This is what it sounds like
When doves cry

How can u just leave me standing?
Alone in a world that's so cold? (A world that's so cold)
Maybe I'm just 2 demanding (Maybe, maybe I'm like my father)
Maybe I'm just like my father 2 bold (Ya know he's 2 bold)
Maybe you're just like my mother (Maybe you're just like my mother)
She's never satisfied (She's never, never satisfied)
Why do we scream at each other (Why do we scream, why)
This is what it sounds like

When doves cry"
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domingo, 5 de junho de 2011

But I still haven't found what I'm looking for...



Não me lembro quando foi a ultima vez que choveu por aqui, faz muito, muito tempo... Ano passado talvez. Agora tem raio, trovão, barulho de agua. Parece que sempre deveria ser assim, de vez em quando. O cheiro da chuva, o habito da chuva. Lembro de quando era pequena e as cores e os cheiros sentidos da janela da casa onde a gente morava. Eu amava tanto e filosofava tanto desde sempre que me lembro de cada detalhe como se fosse um sonho, como se fosse matéria-prima de todos os sonhos que terei a vida inteira e por outras vidas também. Me lembro muito, muito, de todas as cores do céu.
*
Ele sabe que eu estou pensativa e não se importa, continua olhando a televisão. Ele me pergunta o que estou pensando olhando pra televisão. Ou seja, ele não se importa. Normal.
*
Depois de um domingo em que eu não sai pra trabalhar, mas que trabalhei para oferecer um bom almoço para os nossos amigos, me estico na cama. Trabalho amanhã cedo novamente. Estou cansada. Os trovões estão fazendo bastante barulho, muito louco isso, esses trovões nessa cidade cinza que finge que é bonita.
*
Tenho uma amiga que acabou de dar a luz, dia 28. Dar a luz é uma expressão muito bonita. Ela botou mais um ser humano no mundo. Fico pensando como seria se não tivesse perdido o bebê.
*
Minha barriga iria crescendo aos poucos, e com a barriga os sonhos, os planos, as mudanças na casa. Reorganização dos moveis, talvez a gente poderia colocar a cama na sala, fazer do nosso quarto um cantinho especial pro baby, se apertar e reoganizar. Eu talvez pudesse ter usado o meu tempo para estudar um instrumento, aprender a falar uma outra lingua, pensar no que eu faria depois do nascimento dele. Romain estaria feliz, ele me acompanharia em tudo, faria o possivel para me ajudar até com a casa. Eu sairia com as minhas amigas para comprar o enxoval. Todo mundo me enviaria mensagens, boas energias. Aos poucos eu me prepararia para o dia D. Seria um menino, eu acho que seria um menino. Ele iria mudar a minha vida. Eu iria pra maternidade, a minha mãe poderia ter vindo do Brasil pra ficar comigo. Seria parto normal, sem muitas dificuldades. Escutaria seu choro pela primeira, vez, tocaria suas maozinhas, seu olhos lindos iguais do pai, cheio de saude. Ele mamaria feito tivesse com toda a fome de quem acabava de chegar no mundo... Tirariamos muitas fotos. Seria um momento incrivel. Lindo, perfeito. A gente viria pra casa, eu receberia muitas flores. Todo mundo ia ficar feliz, nos ficariamos muito felizes. A gente podia passar uns dias em Bonnières, pra ficarmos quietinhos. E aos poucos a gente iria descobrindo como seria a vida, a nossa vida, a vida de verdade, o futuro.
*
Amanhã vou acordar cedo, fazer meus abdominais, depois vou pra academia, tudo rapido, tudo correndo. Depois eu vou preparar minhas coisas pra trabalhar na Galeria Lafayette. Espero que esteja vivendo o passado. Não quero nem pensar em ter filhos agora. Vai vir quando tiver que vir.
*
Ele continua me perguntando o que eu estou pensando, mas olhando pra televisão.
*
*
*
A musica de hoje é "I still haven't found what I'm looking for..."
*
"I've climbed the highest mountains
I've run through the fields
Only to be with you
I've run I have crawled
I've scaled
These city walls
Only to be with you
*
But I still haven't found
What I'm looking for
*
I've kissed honey lips
Felt the healing in her fingertips
It burned like fire
This burning desire
I've spoken with the tongue of angels
I've held the hand of the devil
It was warm in the night
I was cold as a stone
*
But I still haven't found
What I'm looking for
*
I believe in the Kingdom Come
Then all the colors will
Bleed into one
But yes I'm still running
You broke the bonds and you loosed the chains
You carried the cross
And my shame
You know I believe it
*
But I still haven't found
What I'm looking for"
*
*
*

sexta-feira, 3 de junho de 2011

You're so beautiful but oh so boring...


Vou fazer 30 anos. Hoje sou vendedora da Galeria Lafayette e não, não é uma piada... Não que eu me sinta diminuida por isso, não posso dizer que estou infeliz nesse ponto. Como dizia Pessoa "Não sou nada, nunca serei nada...". Me sinto parte de um todo. Me sinto util sim, sinto que faço muito bem o meu trabalho e que posso melhorar ainda mais. Ganho uma miséria para o mercado. Mas trabalho para uma super marca, encho a boca para falar. Quando eu conto para os amigos do meu marido que eu sou vendedora eles me olham com cara de pena. Eu deveria fazer o mesmo quando me dizem que são musicos ou fotografos, artistas. Bato ponto, tenho salario, vale-refeição, seguro-saude, plano de previdência. Essas coisas inuteis que todo mundo precisa. Me sinto, finalmente, fazendo parte da massa, ou seja: não sou nada. Não é exatamente o que eu previa quando comecei a escrever esse blog, exatamente quando decidi me separar do meu ex marido. Quando postei uma foto de flores do campo que hoje sei onde brotam e como se chamam. Eu não sabia que o principe ia virar um chato que vive dando no meu saco. E que quem sabe a vida é não sonhar... É, eu so peço a Deus um pouco de malandragem.

Escolhi essa vida. Escolhi esse cara cheio de qualidades e defeitos como marido, escolhi Paris-city para morar. Tive que me acostumar com muitas coisas para entrar no mundo adulto, muitas coisas. Acho que de certa forma a vida é isso: ver um negocio que poderia sim, ser seu sonho, vivê-lo como sonho, descobrir que nao era isso mas se acostumar, fingir que era. Tentar ainda ter o mesmo brilho nos olhos quando contar a mesma historia duzentas vezes. Ainda nao me cansei dos velhos sonhos.

Como Raquel, ainda quero ser menino, ser adulta e ser escritora.

Eu tento ve um pouco o futuro, insisto em vasculhar o meu horoscopo tentando ler as entrelinhas. Nao, nao é possivel que a minha vida seja isso, casada com um cara que nao me entende (nao foi sempre assim?) e vendedora da Lafayette. Nao, nao é esse o meu futuro, nao é isso futuo nao! Futuro é um negocio que a gente acha que tem cara de final. Meu casamento com Romain foi futuro. Lindo. Mas hoje nao, hoje é passado. Hoje eu tenho que mentir pra ele, dizer que sai com as minhas amigas porque ele ta viajando. Ele é um marido que quer que eu saia... Eu quero ficar em casa com os meus pensamentos, o meu silêncio, as minhas musicas (que euzinha escolhi pra tocar). Filosofar, tomar garrafa de vinho velho, tentar responder os meus emais e facebook... Amanha é sabado e eu vou trabalhar. Meu marido foi viajar. Mais uma vez eu me casei com um cara que nao a nem ai pra mim e pra quem eu preciso mentir.

Ei nao acho que existam homens diferentes disso.

Romain é chato, chato demais. Ele é infantil e desinteressante. Semana passada disse a ele que nao estou mais apaixonada. Ele quase teve um troço, fingiu nao acreditar. Joguei a culpa em cima de mim, de certa forma, e ele continuou como se nada tivesse acontecido. Sera preciso ficar so pra se viver? So pra se viver? Eu gosto dele. Acho ele bonito. Mas também achava Emerson bonito, do jeito dele. Romain é um cara bom, de alma boa, que nao faz nada por maldade, assim eu o perdoo sempre. Mas eu gostaria de nao ter que ligar pra ele amanha. Hoje eu me sinto suficientemente livre para viver uma vida paralela a ele. EU sempre achei que ia conseguir encontrar um amor ideal, ao ponto de conseguir viver a vida junto. Mas parece que isso nao existe: tem que viver paralelo. Eu gosto dele, mas tenho que guardar uma certa distância. Acho que isso é uma hipocrisia ridicula.

Pensei em arrumar um amante. Mas nao tenho coragem. Acho que isso nao ia ajudar nada, so ia prejudicar as coisas. Eu nao sou hipocrita, nao ia conseguir dormir com ele fingindo. Preciso focar na minha carreira, seja ela qual for, aprender a ser menos espontânea e romântica (qui nem qui os adultos) e ter filhos. Isso sim deve resolver muitas coisas. A gente cria uma obrigaçao enorme de aceitar mais ainda as paradas. Eu acho que ele é um largado, um fracassado, um adolescente perdido. O fato de eu nao reconhecer nele um homem piora muito as coisas. Ele me cobra e eu nem tenho vontade de responder. Nao sei como vou conseguir resolver essa situaçao, porque eu nem tenho medo dele como tinha do outro. Tenho vontade de rir quando ele me cobra. Estou perdendo cada ver mais o respeito, esse respeito do cara ser maior que eu. Tô cheia de voz, sabe... Respondendo os amigos dele... Estou perdendo o medo de ser rejeitada. Isso é foda... Parece que a minha personalidade esta crescendo. Nao sei onde isso vai dar.

Nao sei se vou fazer planos pros meus 30 anos. Nao sei se os planos vao me ajudar em alguma coisa. Eu quero encontrar onde focar e focar. Pedacinho por pedacinho. SInto que vou começar mesmo a viver quando tiver uns 70 anos. E eu lembrar de tudo isso como uma grande piada. Acho que vou ser a vovo mais feliz do mundo. Tranquila, com os maridos todos mortos, escrevendo, viajando, fazendo bolo, indo encher a paciência das vendedoras das lojas. Livre e intelegente, filosofica. Isso, meu desejo mesmo é ser uma vovo filosofa. Dentro de uma sala cheia de livros meio bagunçados mas que eu sei bem onde estão. Desconectada com o passado. Tranquila.

Eu sempre espero simplesmente que o tempo passe. O tempo sempre acaba resolvendo tudo.

*
*
*
*
*

A musica de hoje é "So beautiful", Simply Red. Tão lindo, mas tão chato...

"I was listening to this conversation
Noticing my daydream stimulated me more
I was crumbling with anticipation
You'd better send me home before I tumble down to the floor

You're so beautiful but oh so boring
I'm wondering what am I doing here
So beautiful but oh so boring, I'm wondering
If anyone out there really cares
About the curlers in your hair
My little golden baby, where have all your birds flown now?

Something's glistening in my imagination
Motorvatin' something close to breaking the law
Wait a mo' before you take me down to the station
I've never known a one who'd make me suicidal before

SYou're so beautiful but oh so boring
I'm wondering what am I doing here"

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

tente outra vez



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Ta certo, estou voltando a escrever no meu blog. Como ja disse antes, eu tentei criar um outro. Coitado, ficou abandonado. Acho que blog é como a vida, a gente tem que seguir em frente, continuar, independente de qualquer coisa. Não adianta ficar tentando mudar. Mudar de blog é o mesmo que mudar de endereço: a essência continua a mesma. Não vou mudar, fico por aqui.
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Diz que preciso escrever sobre as coisas que estou vivendo em Paris. talvez eu deva... Sabe, voltei a escrever compulsivamente no papel. Resolvi não botar mais data, escrevo pensamentos soltos, sem ordem, sem inicio ou fim. Percebo que não faz tanta diferença a data, pois continuo pensando mais ou menos as mesmas coisas, tendo mais ou menos as mesmas reflexões filosoficas. "Eu vejo um museu de grandes novidades".
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Eu não gostei muito de Paris, não gostei de ficar longe da minha familia e dos meus amigos. Aqui eu fiz e estou fazendo novos amigos, Deus gosta dessa coisa de agregar. Agradeço ao gênio que inventou a internet, assim posso diariamente fuxicar a vida dos meus amados. Imagina mudar de pais, 10 anos atras? Caos total. Sou uma abençoada da nova geração, das novas tecnologias.
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Agora eu ja falo Francês, é menos um problema. Mas não significa que não tenham outros. Diziam que eu ia me encontrar aqui, é o que estou fazendo: me procurando. Não quero viver no automatico. Esse ano faço 29, 30 no ano que vem, chegou o momento de me encontrar. Parei de tomar pilula faz 2 meses, quero ser mãe. Agora de verdade, agora eu quero e o pai também. Estamos felizes com a decisão, estamos bem empolgados com a idéia de gerar um baby. Mas tento não pensar muito nisso, mês passado fiquei ansiosa e deprimi quando a minha menstruação veio. Preciso deixar que Deus faça as coisas no momento em que Ele achar certo, e não eu, afinal Ele é o cara.
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Segunda vou começar num trabalho indicado por Romain, ajudando na parte de acessorios do filme. Tô tão empolgada com a idéia...! Era bem o que eu queria, com a equipe que eu queria trabalhar. Espero que tenha competência suficiente para que eles gostem do que eu fizer, seja la o que eu tiver que fazer. É uma esperança de não ter que voltar a trabalhar com moda (não tô muito afim...), uma esperança de descobrir absolutas novas possibilidades, de recomeçar, de trabalhar com gente pra cima, do bem, de descobrir um meio em que as pessoas se divertem enquanto trabalham. Romain é tão feliz com o trabalho dele... Acho que eu podia ser talbém, né? Vamos ver, vamos ver.
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Estou aproveitando essa entre-safra para escrever muito. Terminei meu livro sobre os meus 7 anos de relacionamento com o falecido. Acho que ficou bom, bem bom até. Mandei os textos pra mammy, pra ela revisar, reescrever, editar. Pro fim do ano deve estar pronto pra eu começar a prospectar editoras. Comecei a escrever outro, baseado em um sonho alucinado que tive. Uma espécie de conto de fadas erotico, sobre um cara que troca de corpo com um cavalo. Ta bem divertido. Tinha me comprometido de escrever 5 paginas por dia. Mas como é dificil! Dificil demais! Por mais simples que pareça a historia, as paginas nao crescem, a inspiração não vem... Mas vai vir. Eu rezo muito para que Deus abençoe meu escritos, porque é a unica coisa da qual eu sempre tive certeza na vida.
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Meu casamento é lindo. Meu marido é lindo. Hoje estava relendo as minhas postagens sobre ele, sobre quando a gente estava se conhecendo... Elle mudou tanto e continua tanto o mesmo... A gente se implica, se detesta, se ama, não se separa de jeito nenhum. Ele é o homem da minha vida, o amor da minha vida. É com ele que eu quero me deitar no nosso tumulo. Quero ter filhos junto, vê-los crescer, ter netos e vê-los crescer, ter bisnetos... Eu quero dividir com Romain absolutamente todos os momentos da minha vida, ainda que ele me encha muito a paciência como todos os homens. Me sinto realmente com muita sorte por ter encontrado o amor da minha vida, muitas pessoas passam a vida buscando e não encontram. Eu o amo, mais do que nunca posso dizer que eu amo alguém. Nunca senti isso por ninguém. Incrivel, e esse cara por quem eu sou tão apaixonada é o meu marido, ele também é apaixonado por mim. Genial.
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Resolvi que não devo pensar em voltar pro Brasil agora. Temos que ficar aqui. Tenho que aproveitar a chance de morar fora para aprender. Melhorar meu curriculo, aprender uma profissao. É aqui que eu tenho que encontrar o meu caminho de uma vez por todas. Estou de saco cheio de 2009, quero que esse ano acabe logo. Acredito que ano que vem sera 10 mil vezes melhor, mais ativo, mais energético. Estava triste, hoje estou ansiosa. Quero que o futuro chegue logo. Quero tentar outra vez, e com mais afinco do que nunca! Quero ser feliz de forma completa.
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A musica de hoje é a energética "Tente outra vez".
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"Veja
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha em fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!
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Beba
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou
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Tente
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça agüenta
Se você parar
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Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
Bailando no ar
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Queira
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Tente outra vez"
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segunda-feira, 15 de março de 2010

ciumes




Como faz uma pessoa que é doente de ciumes? Acho que estou começando a ficar doente. Eu não suporto, eu sinto o meu estômago revirar. Eu não sei como vai ser o proximo verão, quando teremos (terei, no caso) que conviver com mulheres de top less querendo abraçar o meu marido, como se fosse a coisa mais normal do mundo. As amiguinhas, intimas. que ja foram bem intimas, algumas que eu sei e outras que eu imagino mas nao quero saber. É a primeira vez que lido com esse instinto de possessao bizarro. eu não gostaria de ter isso, não entendo de onde que vem e tenho medo de pra onde que vai. Sinto que eu poderia matar, poderia mata-lo ou poderia me matar. Um instinto violento. Às vezes eu tenho vontade de deixa-lo porque o amo demais. Amar assim não faz bem nem pra si mesmo nem para o outro. Sufoca. Preciso observar meu comportamento, ver se devo me tratar (se é que existe tratamento pra isso). Preciso encontrar outras motivaçoes pra minha vida, outros desejos, interesses pessoais. Eu sempre achei que o amor deveria ser em primeiro plano, ainda acho, mas vejo que isso de certa forma pode ser perigoso. Me sinto mal. Sinto raiva. Quero sumir de mim mesma.

domingo, 14 de março de 2010

eu te amo e quero voltar pra você...



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Eu tentei, tentei viver outras experiências. Reescrever a vida de outra forma, com outras cores, em outro endereço... Deixar a vida antiga pra tras e começar uma nova. Mas não adianta, é aqui que minha alma quer ficar. Aqui que eu me sinto em casa, que eu sinto o impulso desesperado de ser eu mesma. Eu não quero mudar, quero ser eu mesma. Eu gosto da historia que construimos juntos. Eu sei o quanto isso parece absurdo, mas eu posso sentir seu cheiro. Sua textura, sua familiaridade. Eu quero continuar do ponto onde paramos, talvez eu possa até mesmo te contar o que aconteceu durante o periodo em que estivemos separados. Preciso filosofar. Preciso filosofar com você. Eu te amo e quero voltar pra você. Não, eu não quero um novo blog. É aqui que eu vou continuar a escrever a historia da minha vida. Porque você é a bruta flor do querer, porque eu sou a bruta flor do querer.
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"Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
*
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
*
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
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Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
*
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim"

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Vida nova, blog novo!


Resolvi começar a escrever a nova fase da minha vida em um novo endereço: http://gabirobainebovy.blogspot.com
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Espero que seja maravilhoso, como foi por aqui... Muito obrigada por tudo.
*****

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

o novo mundo



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Cheguei.
Dia 9 de julho, hoje dia 4 de setembro. Quase 2 meses... Foi uma semana muito longa, a semana sem ele. Ele foi embora e eu ainda fiquei uma semana. Como se fosse uma semana sem sol. 
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Desde que cheguei viajei muito... Fiquei somente uns 6 dias em Paris, contando do um dia quando cheguei e das outras 2 vezes que voltamos. Fui pra Cap Ferret (ainda estou em Cap), Avignon, Hyeres, Bonnieres... Vi tantas coisas lindas... Conheci pessoas, reencontrei outras, me senti estranha, me senti em casa. Engordei, estou tentando emagrecer. Brigamos, nos acertamos, brigamos mais, continuamos tentando nos acertar. Dois librianos juntos ffica dificil, mais uma vez... Eu o odeio, eu o amo. Tem dia que eu o odeio mais que amo. O amor que eu sinto por ele é tao grande que me deixa tonta. Muito diferente gostar de quem gosta da gente. Se eu nao te amasse tanto assim, talvez nao visse flores... Eu o amo. Amo de um amor claustrofobico, caotico e kamicaze, mas eu o amo.
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Me reconciliei com o papel, por isso faz tempos que nao escrevo por aqui. Decidi tentar mesmo essa coisa de ser escritora. Nao sei se é um sonho absurdo, mas é um sonho. Viajar tambem sempre foi um sonho distante e quase absurdo, mas eu estou aqui faz dois meses, vivendo com o homem que eu amo. Quem sabe nao consigo realizar o sonho de ser escritora? Eu acredito, preciso tentar. Quem acreditar comigo me transmite boas energias pra continuar meu caminho.
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Um dos meus livros preferidos da vida chama "Bolsa Amarela", da Ligia Bojunga Nunes, um livro infanto-juvenil. A historia de uma menina chamada Raquel. Ela tinha 3 grandes sonhos: ser menino, ser adulta e ser escritora. Eu sempre tive os mesmos sonhos. Descobri que ser adulta é legal, mas da um trabalho danado, ser menino eu nao sei se tem grandes vantagens, mas ser escritora permanece... Eu ainda amo a Raquel e o Galo Rei, eu ainda quero ser escritora. Preciso muito trabalhar, mas nao consigo me ver novamente saindo de casa para uma rotina de 8 horas fazendo repetitivamente as mesmas coisas todos os dias. Quero ter filhos, escrever, escrever na minha casa, montar um escritorio. Eu pensei em fazer faculdade de jornalismo mas sabe, eu tambem nao quero escrever abobrinhas nos jornais. Eu quero escrever historias, quero escrever sobre a vida, quero fazer as pessoas pensarem sobre a vida. Estou escrevendo todos os dias sobre este amor que estou vivendo e tenho muito material antigo para compilar e tentar publicar. Ja pedi pra mamae dar uma olhada pra mim. Vamos ver... Me desejem sorte.
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Ele me pediu em casamento. Nunca acreditei sinceramente que alguem nessa vida ia me pedir em casamento. Eu nunca pensei que realmente merecia casar. Casar é um dos sonhos da minha vida... Por enquanto a gente vai casar no civil, vai ser provavelmente dia 26 de setembro e depois a gente vai casar na igreja, daqui um ou dois anos. Estou feliz, muito feliz. Eu ainda nao consigo acreditar que eu vou casar com o amor da minha vida. Deus conserve o nosso amor e as nossas vidas.
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Pra ilustrar, "I deserve it", da deusa Madonna.
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"This guy was meant for me
And I was meant for him
This guy was dreamt for me
And I was dreamt for him
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This guy has danced for me
And I have danced for him
This guy has cried for me
And I have cried for him
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Many miles many roads I have traveled
Fallen down on the way
Many hearts many years have unraveled
Leading up to today
*
This guy has prayed for me
And I have prayed for him
This guy was made for me
And I was made for him
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Many miles many roads I have traveled
Fallen down on the way
Many hearts many years have unraveled
Leading up to today 
*
I have no regrets
There's nothing to forget
All the pain
Was worth it
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Not running from the past
I tried to do what's best
I know that I deserve it
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Many miles many roads I have traveled
Fallen down on the way
Many hearts many years have unraveled
Leading up to today  
And I thank you"
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sábado, 11 de julho de 2009

cheguei...

Estou aqui... Tenho tantas coisas para contar! Ainda nao vai dar pra escrever agora, mas vou tentar assim que possivel, talvez à noite, hoje mesmo. Amo voces, ja estou com saudades do Brasil.... Muitos beijos a todos!

sábado, 4 de julho de 2009

minha despedida



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Olá, meus amigos queridos...!
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Tem quem sabe, tem quem não sabe ainda... Então aconteceu assim, em dezembro eu o conheci, ele ficou aqui 10 dias, voltou pra França, voltou pra cá em dia 19 de março e acabou de ir no dia 29 de junho. E eu estou indo agora, dia 8 de julho, quarta-feira. O nome dele é Romain e o meu destino é Paris. Quem quiser saber da história com mais detalhes, lê no meu blog: http://gabirobaine.blogspot.com/2008/12/um-novo-captulo-da-histria-agora-em.html
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Eu o amo, eu o amo tanto... Se vai dar certo, não sei. Mas estamos dispostos a tentar. Vou pra ver, pra conhecer, pra descobrir. Se eu gostar de lá, se eu gostar dele e ele gostar de mim, daí eu fico. Se não funcionar eu volto. Minha passagem está do dia 8 de julho ao dia 8 de outubro. Já foi difícil decidir que ia, agora vai ser difícil decidir se volto...
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Desde 2008 a coisa-casa ficou meio confusa: em julho separei, fui pra casa da Tia Célia em Santa Teresa, em fim de outubro fui pra vovó em Casimiro de Abreu e desde dezembro estou em Rio das Ostras... Ou seja, tem um tempão que não vejo muitos de vocês!!!!
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Venham celebrar comigo a felicidade de tentar um novo caminho na vida e seja pra voltar semana que vem ou daqui a 10 anos, venham me ver!!!! Estou com saudades e vou ficar mais ainda! Ah e esse ano nem vai ter festa de aniversário aqui, porque de qualquer jeito vou estar lá! Ah, faz um esforço, vai... Vem me ver!
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Terça-feira, dia 7 de julho, agorinha, nas vésperas! Na Choperia Brazooca, facinho de chegar tanto pra quem vai de carro quanto de táxi, de busão... Do lado do Teatro Odisséia. A entrada é grátis, tem sinuca, choppinho e música brasileira! Estarei lá a partir das 18 e vamos seguindo até de manhã! O endereço é Av Mem de Sá, 70.
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A Mari (minha-melhor-amiga-do-mundo-irmã-inseparável-passa-boi-passa-boiada-só-não-passa-essa-mulher) está me ajudando a organizar e deve ligar pra quem der tempo. Quem tiver dúvidas, pode ligar pra mim (21) 8522 0100 ou pra Mari (21) 2205 3638.
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MUITAS SAUDADES DE TODOS!
Vem, vem, vem...!!!!
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Beijinhos,
Gabi Robaine*****
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P.S.: pra ilustrar!
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Eu sei que vou te amar
http://www.youtube.com/watch?v=YJNFzzUI7Wg
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Amor Puro
http://www.youtube.com/watch?v=RbPRn8dxy-w
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(21) 8522 0100 / (22) 2764 6517

sábado, 6 de junho de 2009

o poder do perdão


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Eu tenho muitos assuntos a escrever, muitas coisas pra contar, que aconteceram e estão acontecendo. Mas vou deixar pra amanhã. Hoje eu quero continuar no assunto, falar sobre o perdão.
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Por que é algo tão difícil? Por que tem que ser difícil amar quem é diferente da gente? Quantas vezes ouvimos na igreja: ame o próximo. Não foi isso que Jesus veio ensinar? Amar o próximo como a ti mesmo. Que isso? Quem é o próximo? Que próximo é esse? O próximo a que Cristo se referia não era seu pai, sua mãe, seu melhor amigo. É o outro. O próximo não tão próximo.
Porque amar o próximo muito próximo é moleza... Quero ver amar aquele cara que te perturba a paciência, amar o seu vizinho, a ex namorada do seu marido... amar até seu ex marido. Tem uma lista enorme de gente que precisa do seu perdão e que tem que te perdoar.
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A minha fé é bem misturada. Hoje eu faço parte da Igreja Anglicana, onde encontrei um refúgio para cristãos ecumênicos, onde pretendo professar a palavra de Cristo, se o próprio me permitir. Eu me considero pagã, antes mesmo de cristã. A minha fé é nas religiões antigas, antes do advento do cristinismo e do próprio Cristo antes que inventassem que ele é um ótimo produto a ser comercializado. Então eu acredito em carma. Acredito em reencarnação. Que pode haver, já que não existem provas concretas.E que os assuntos que deixamos pendentes na Terra nós temos que voltar para resolver. Eu ando conversando comigo mesma: não quero voltar. Quero ficar lá do lado de Deus. Estou cansada... Todo dia tem que acordar, fazer xixi e cocô, comer, beber, trabalhar, dormir e acordar novamente... Isso cansa, não? Não, eu não quero viver pra sempre. Gostaria de viver uns 120 anos, mas faço questão de morrer. Quero descansar. E quero chegar num ponto de descansar fazendo parte da luz celestial. Pra isso o que é preciso fazer? Resolver a questão do perdão, mas não adianta ser forçado. TEM QUE SER SINCERO.Perdão
forçado não conta ponto pra Deus não... Ele consegue ver até dentro do seu coração, acredita?
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Eu enviei e-mail para as duas amigas que gostaria de reencontrar. Uma não me respondeu, talvez por falta de tempo ou talvez por ter achado idiota. Não sei. A outra me respondeu de uma forma tão rude... Triste mesmo. Uma pessoa que foi muito importante pra mim e que teria prazer imenso de compartilhar novamente. Não vou citar o nome, mas foi tão forte que gostaria de comprtilhar com vocês: "Gabriela,eu sou uma pessoa que realmente acredita nas relações humanas, no amor, na conversa, no poder de um abraço e principalmente do perdão. Mas isso tudo, para mim, só vale quando as pessoas que precisam disso são honestas, sinceras, e firmes no propósito de serem felizes e permitirem que os outros tb o sejam. Para isso, é preciso que elas
sejam maior que elas mesmas, e ter sinceridade no coração. Seu mail não expressa nada disso. Nada que vc escreva dirá para mim que vc mudou, ou que está sendo justa ou fiel a quem quer que seja, muito menos a mim. Sua postura, suas palavras e seus atos (e que atos!) me provaram algumas vezes que vc já não era digna da minha confiança ou da minha sincera amizade.... Se comportava como bem queria, me usava de acordo com sua necessidade, e me tratava como lixo quando ficava ofendida com algo sem razão, mas que era diferente do que vc queria. Como se não bastasse, cretinamente, forjou estórias e mentiras com base nas confissões de meus sentimentos e anseios, e criou cenários e cenas que jamais existiram, para me humilhar e me expor.... E talvez com isso - quem sabe? - me tirar (roubar!) a confiança de outros para fazer com que vc fosse o centro das atenções, a heroína (falsa, forjada tb) das situações que vc mesma tratava de "resolver" com sua doçura tão latente... Vc foi grosseira, cruel, ciumenta, infame e vil. Indigna de
qualquer sentimento bom ou razoável de minha parte.Não quero te dar um lugar aqui ou ali, te mandar para lugar nenhum, te deixar entrar ou sair; para mim, vc morreu naquele acampamento, e lá ficou. E sua história para mim terminou aí. Com ou sem a minha presença. Sim, acredito no perdão. Mas não para os que não se arrependem.Sem mais,"
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Escrevi um e-mail enorme de resposta. Não me reconheci nessas palavras. Respondi dizendo que lamentava muito, que ela precisa procurar ajuda. Faz o que, uns 5 anos que a gente se desentendeu? Como uma pessoa pode guardar rancor durante tanto tempo? Acho tristíssimo.
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Posso me orgulhar da quantidade de amigos que tenho. Infelizmente não tenho tempo para ver todos, com a freqüência que gostaria. Tenho amigos que carrego desde os meus 15 anos... Nos meus aniversários é bom ver, sempre as mesmas carinhas... Me sinto bem em encontrar amigos queridos, me sinto coerente. Parece que continuo a ser a mesma pessoa. Isso é bom. Amigos novos também são muito especiais. Amigos novos fazem com que eu sinta que continuo sendo uma pessoa legal. Obrigada, queridos!
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Espero que essas pessoas que não me concederam o perdão possam encontrar paz no coração. Meu coração não terá paz enquanto não puder perdoar e enquanto não puder ser perdoada. O mundo é tão conectado... Somos tão irmãos... Por que não perdoar? Vamos fazer um esforço...
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Cristo é O MESTRE. Mas o meu mestre pessoal, mesmo, é Gandhi. Tenho um livro no meu altar, chamado "As palavras de Ganhdi", da editora Record. Pequenino, mas perfeito. Vamos a algumas citações:
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"A não-violência não existe se apenas amamos aqueles que nos amam. Só há não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam. Sei como é difícil assumir essa grande lei do amor. Mas todas as coisas grandes e boas não são difíceis de realizar? O amor a quem nos odeia é o mais difícil de tudo. Mas, com a graça de Deus, até mesmo essa coisa tão difícil se torna fácil de realizar, se assim queremos."
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"O teste maior da não-violência está no fato de não ficar qualquer rancor depois de um conflito não-violento, com os inimigos convertidos em amigos. Essa foi minha experiência na África do Sul com o General Smuts. Ele começou como o meu maior oponente e crítico mais encarniçado. Hoje é meu amigo mais caloroso..."
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"O caminho da paz é o caminho da verdade. Ser honesto é ainda mais importante do que ser pacífico. Na verdade, a mentira é a mãe da violência. Um homem sincero não pode permanecer violento por muito tempo. Ele vai perceber, no curso de sua busca, que não tem necessidade de ser violento. Vai também descobrir que enquanto houver nele o menor vestígio de violência não conseguirá encontrar a verdade que está procurando.Não há um ponto intermediário entre a verdade e a não-violência de um lado e a falsidade de outro. Talvez nunca sejamos fortes o bastante para sermos totalmente não-violentos, em pensamento, palavra e ação. Mas devemos manter a não-violência como nosso objetivo e fazer um progresso constante em sua direção. A conquista da liberdade, quer seja para um homem, uma nação ou o mundo, deve ser na proporção exata da conquista da não-violência. Assim, aqueles que acreditam na não-violência como o único método de alcançar a verdadeira liberdade devem manter a chama da não-violência ardendo intensamente no meio das trevas impenetráveis do presente. A verdade de uns poucos vai prevalecer, a inverdade de milhões vai se dissipar, como palha a uma lufada de vento."
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A música que quero colocar hoje é da diva Jewel Kiltcher. Ela arrasa quando fala sobre sentimentos, especialmente o perdão. "Pieces of you".
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"She's an ugly girl, does it make you want to kill her?
She's an ugly girl, do you want to kick in her face?
She's an ugly girl, she doesn't pose a threat.
She's an ugly girl, does she make you feel safe?
Ugly girl, ugly girl, do you hate her
'Cause she's pieces of you?
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She's a pretty girl, does she make you think nasty thoughts?
She's a pretty girl, do you want to tie her down?
She's a pretty girl, do you call her a bitch?
She's a pretty girl, did she sleep with your whole town?
Pretty girl, pretty girl, do you hate her
'Cause she's pieces of you?
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You say he's a faggot, does it make you want to hurt him?
You say he's a faggot, do you want to bash in his brain?
You say he's a faggot, does he make you sick to our stomach?
You say he's a faggot, are you afraid you're just the same?
Faggot, Faggot, do you hate him
'Cause he's pieces of you?
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You say he's a Jew, does it mean that he's tight?
You say he's a Jew, do you want to hurt his kids tonight?
You say he's a Jew, he'll never wear that funny hat again.
You say he's a Jew, as though being born were a sin.
Oh Jew, oh Jew, do you hate him
'Cause he's pieces of you?"
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Amar e ser amada é lindo. Perdoar e ser perdoada é bom demais.
*****

segunda-feira, 1 de junho de 2009

a morte


*
Hoje acordei com a notícia de uma triste coincidência. Logo hoje, que confirmaria o meu vôo para Paris, recebo pela TV a notícia do desaparecimento do avião da AirFrance. A mesma aeronave, a mesma origem, o mesmo destino, o mesmo aeroporto de partida, o mesmo aeroporto de chegada. O mesmo dia da compra da minha passagem. Auspiscioso? Não sei.
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Liguei pro Romain imediatamente. A princípio ele não acreditou. Sério? É, sério, liga a TV. Falou, então vê se espera uns 2 ou 3 dias, que a passagem vai ficar mais barata. Humor negro. Não, melhor não.Mas tarde falei com ele novamente e ele me contou que um de seus conhecidos, Allain Vallabriga, Cônsul do Senegal, estaria neste vôo, neste exato vôo. Allain foi o patrono do nosso amor, quem emprestou o apartamento que Romain se hospedou um dezembro. Felizmente um amigo havia o requisitado antes e ele acabou antecipando sua viagem em 2 dias. Escapou com sorte, destino, sei lá.
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Fiquei bem triste mesmo em ver as famílias na TV. No vôo tinha oceanógrafo, engenheiro, político, tinha até um príncipe, Pedro Luiz Orleans e Bragança - o quarto na sucessão do trono brasileiro. Tinha até um alemão que ia casar com uma brasileira e estava indo buscar os papéis. Tinha 7 crianças e um bebê. Gente que morava lá e estava visitando a família que não via há tempos, gente que estava se programando pra conhecer Paris... Gente na metade da vida, gente com uma vida inteira pela frente. Nem deu tempo. O avião foi engolido por algo sinistro, algo desconhecido. Um raio? Ninguém sabe. A única mensagem enviada foi automática, da própria aeronave. Foi tão rápido que nenhum dos tripulantes teve a oportunidade de pedir auxílio. Vi no site da AirFrance que todos, piloto, co-pilotos, comissários e etc eram muito experientes. A aeronave era nova e estava com manutenção em dia. Nada de falha humana, nada de falha na aeronave. Algo novo. Talvez algo novo no clima mundial. Pior de pensar do que pensar em falha. Seja como for, ninguém nem viu o que aconteceu, ninguém nem sabe que morreu. Foram engolidos por uma bolha no espaço-tempo. Sumiu, só sumiu.
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Algumas notícias de tragédias me chocam em particular. Tenho um arquivo de coisas muito horríveis que pra mim servem de referência. Teve o Pedro Paulo Diniz, que permitiu que a linda Fernanda morresse no mar, após a queda do helicóptero. Eu não o perdôo, nunca vou perdoar. Ele deixou que ela morresse, nada me tira da cabeça. Foi horrível. Teve a tigresa, no zoológico lá de outro pais, que mataram. Ela estava triste, estressada. Ela matou um homem, daí mataram ela. Ela não era um monstro, só uma tigresa enjaulada, deprimida. Fiquei triste. Deviam matar todos os homens que destroem o seu lugar no mundo. Depois teve a morte do Gracie. Ele tinha problemas psiquiátricos e o psiquiatra acabou matando ele na cadeia, com altas doses de medicamentos. Um absurdo. Um rapaz lindo, jovem, cheio de vida pela frente. Tem coisas que eu não consigo suportar. Agora teve esse avião. Muito triste, muita gente, bem no meu momento. Gente que ainda tinha muita vida pela frente. Um bebê.
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Volto a um assunto que tratei ano passado aqui no blog, que é a necessidade de viver cada dia. Estou sempre na estrada. Morre mais gente todos os dias nas estradas do Brasil do que em um desastre de avião. Deus tem formas muito curiosas de fazer o que tem que ser feito. Tem guerras, fome, todo tipo de desgraças espalhadas. O avião talvez fosse de gente feliz, gente que estava preparada. Que viveu e que ainda tinha esperanças de vida bem legal. Ruim é quando a gente morre e não viveu, quando a gente morre sem nem imaginar que possam haver coisas boas no futuro. Morrer sem ter vivido. *Cristo veio para nos ensinar muita coisa. Uma delas é que morte pode ser sinônimo de ressurreição. De ensinamentos. Morrer para salvar. Cristo morreu para que toda a humanidade aprendesse. O que aprendemos com a morte de Cristo? O que aprendemos com a morte de um ente querido? Talvez seja um bom momento para valorizar a vida. Para valorizar os vivos. Prestar homenagem aos que se foram, mas prestar atenção aos que estão ao nosso lado. Viver todos os dias como se fossem os ultimos. Meu último mês, minha ultima semana, meu último dia. Dizer que ama, abraçar, beijar. Ficar mais 5 minutos na cama com quem a gente ama. Encontrar os amigos. Encontrar tempo para si mesmo e para fazer o que gosta. Tempo é a gente que faz, é a gente que organiza. Ainda que trabalhemos dia e noite, incanssavelmente, nunca será o suficiente num mundo capitalista. Vamos sempre querer mais. Então por que não querer menos? Vamos querer menos coisas materiais e mais coisas emocionais, espirituais. Agradecer, amar. Distribuir o bem pelo mundo.
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Eu estou indo pra Paris mesmo. Não quis esperar mais, não quis correr o risco de perder o meu lugar no vôo. Entre o risco da morte e o risco de não viver o que desejo, fiquei com o primeiro. Arrisco a minha vida todos os dias, desde o momento que acordo. Para morrer, basta estar vivo. Assim, indo no dia 8 de julho, resolvi fazer algumas coisas que acho importantes. Fora as burocracias (tem uma lista na minha frente), tem outras prioridades. Tentar me reconciliar com amigas que eu amo e que não vejo faz tempo. Hoje mandei e-mails para Cris e Fabiana, pessoas especiais que eu machuquei e que sinto muito. Sinto saudade. Somos falhos, erramos. Quis pedir perdão. Pedir perdão é muito bom, perdoar é lindo. Nos torna pessoas melhores, mais perto de Deus. Cristo veio ao mundo para nos ensinar o perdão. Perdoa, peço perdão, pedirei mais um milhão de vezes. Outra que também está na minha lista é tirar forças de dentro do útero para encontrar Emerson. Eu devo pedir muitos perdões a ele. Ele pode ter me prejudicado financeiramente. Mas nenhum dinheiro no mundo compra amor. O que eu fiz com ele nem sei se tem perdão: eu roubei-lhe o futuro. Abortei, de forma abrupta, todos os planos que ele tinha para o futuro. Roubei-lhe a casa, a empresa, os filhos, as viagens... Roubei-lhe o futuro. Isso foi muito feio. Não sei se algum dia ele me perdoará, mas preciso pedir perdão. Vai me fazer bem.
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Também procurei meu pai, o que foi legal. Nunca tinha tido uma conversa mais longa com ele. Hoje também conversamos na internet. Me aproximar do meu pai é uma coisa muito boa.
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É o que eu digo, o importante é estar preparado. Estar tranquilo. Botar a cabeça no travesseiro e dormir, numa boa. Saber que você cumpre seu papel na sociedade macro e micro. Que você participa da sua família de forma ativa, da sua comunidade, do seu planeta. Que não desperdiça água, que não joga lixo no chão... Pequenas e grandes ações que podem contribuir. Amar e ser
amado. respeitar. Pedir perdão e perdoar. Amar seus pais, seus irmãos. ter poucos ou nenhum inimigo. Planejar, cumprir metas, mudar... Ser feliz... Hoje eu estou pronta. Se Deus achar que sou mais importante ao lado dele do que para as pessoas aqui na Terra, estou pronta. Que eu vire uma serva direta de Deus. Que seja hoje, amanhã, daqui um mês, daqui 100 anos. Deus é
o mestre, é ele que rola os dados. Mas, sinceramente, não gostaria de ir antes de ver meu bebê nascer, antes de ser mãe. Obrigada, Senhor, pela vida, estou à sua disposição.
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Para ilustrar, nada melhor que George Michael. Ninguém falou sobre morte de uma forma tão linda e poética como ele. Vamos de "Jesus to a child" e de "you have been loved".
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"So the words you could not say
I'll sing them for you
And the love we would have made
I'll make it for two
For every single memory
Has become a part of me
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You will always be...my love
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Well i've been loved
So i know just what love is
And the lover that i kissed is always by my side
Oh the lover i still miss...was jesus to a child."
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"She takes the back road and the lane
Past the school that has no changed
In all this time
She thinks of when the boy was young
All the battles she had won
Just to give him life
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That man
She loved that man
For all his life
But now we meet to bring him flowers
And only God knows why
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For what's the use in pressing pamls
When children fade in mother's arms
It's a cruel world
We've so much to loose
And what we have to learn we rarely choose
*
So if it's God who took her son
He cannot be the one living in her mind
*
Take care my love, she said
Don't think that God is dead
Take care my love, she said
*
You have been loved
*
If I was weak, forgive me
But I was terrified
You brushed my eyes with angels wings, full of love
The kind that makes devils cry
*
So these days
My life has changed
And I'll be fine
But she just sits and counts the hours
Searching for her crime
*
So what's the use of pressing palms
If you won't keep such love from harm
It's a cruel world
You've so much to prove
And heaven helps the ones who wait for you
*
Well I've no daughters, I've no sons
Guess I'm the only one
Living in my life
*
Take care my love, he said
Don't think that God is dead
Take care my love, he said
*
You have been loved"
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Confirmando meu vôo, 8 de julho, AirFrance, Rio - Paris. Tom Jobim - Charles de Gaulle.
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"Recap of your trip Booking Ref. : 5LA94T Passenger Ticket NumberROBAINE DE MORAES GABRIELA (ADT) 057 218 145 171 60 From : RIO JANEIRO GIG To : PARIS CDG Flight : AF0443 Resa : OK Departure : 08Jul, 16:20 Latest check-in time limit : 15:20 Arrival : 08:00 (Arrival day+1) Seat : 37B Class VFrom : PARIS C.GAULLE 2E To : RIO JANEIRO GIG Flight : AF0444 Resa : OK Departure : 08Oct, 10:30 Latest check-in time limit : 09:30 Arrival : 17:00 Seat : 30K Class V"
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Eu amo a vida.
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sábado, 30 de maio de 2009

créeeeeuuuu


hhhaha
Hoje eu tô ruim, tá uma chuvinha chata, um frio chato, tô longe do meu amor.
Vai aí uma piadinha politicamente incorreta, enviada pelo meu amigo querido Francisco de Jesus.
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Origem dos 10 mandamentos
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Deus perguntou aos Gregos:
- Vocês querem um mandamento?
- Qual seria o mandamento, Senhor?
- Não matarás!
- Não obrigado.
Isso interromperia as nossas conquistas.
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Então, Deus perguntou aos Egípcios:
- Vocês querem um mandamento?
- Qual seria o mandamento, Senhor?
- Não cometerás adultério!
- Não obrigado.
Isso arruinaria os nossos fins-de-semana.
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Chateado, mas não derrotado, Deus perguntou aos Assírios:
- Vocês querem um mandamento?
- Qual seria o mandamento, Senhor?
- Não roubarás!
- Não obrigado.
Isso arruinaria a nossa economia.
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Deus, enfim , perguntou aos Judeus:
- Vocês querem um mandamento?
*
- Quanto custa?
- É de graça.
- Então manda DEZ!"
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creucreureucreucreucreuCRÉEEEEUUUU! hahaha

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"se a fé remove até montanhas, o desejo é o que torna o irreal possível"



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Como esse é um momento de muita reflexão e eu demorei um tempãaaaaooo pra voltar a escrever, faço questão de utilizar esse espaço-tempo-não-utilizado pra falar um bocado e ilustrar bastaaaante.
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Eu nem sei por onde começar, porque é tempo demais sem escrever. Vou começar por um fato pra lá de bizarro que aconteceu faz sei lá, umas 3 semanas (vocês sabem que sofro de um esquecimento terrível, não lembro como e quando as coisas aconteceram, por isso escrevo compulsivamente).
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Aconteceu que eu ia viajar pro Rio pra ver Romain. E era véspera de fazer minha declaração de imposto de renda. E eu tenho conta no Real, no BB e na Caixa, mas não estava conseguindo tirar na internet meu demonstrativo de rendimentos, tive que ir ao banco. Pois é, daí aconteceu que tive que ir ao banco. E passei umas 3 horas entalada numa fila escrota. E passei na rodoviária pra comprar minha passagem e a passagem era pra 40 minutos depois aí eu tive que correr na loja pra pagar meu cartão de crédito no internet banking e correr em casa, comer correndo, tomar um banho correndo e correr pro outro lado da rua pra pegar o ônibus a tempo.
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Aí quando cheguei em casa minha mãe estava com cara de quem tinha visto fantasma. Mãe, que cara é essa?
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Sua irmã não te contou?
Contou o quê, mãe, fui correndo lá na loja.
Ela não te contou quem foi lá na loja?
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Não.
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Então, o Emerson foi lá na loja.
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É, ele mesmo, meu ex-marido.
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A famosa "volta dos que não foram".
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Ele veio aqui na loja, sabendo que poderia me ver. Sendo que eu passei vários dias na loja só eu e Romain, já pensou? Já pensou Emerson chega lá e dá de cara com nóis dois? Que situação... Ele parece que veio pra negociar o terreno de Costa Azul. Disse que ele tinha ligado pra minha mãe? Pois é, ele ligou pra minha mãe bem num dia que Romain estava aqui, uma situação bem chatinha. Mas ele veio aqui, correndo risco de me ver, de coração aberto. Disse que a loja está linda. Disse pra minha mãe que está cheio de dívidas, que os sócios estão brigando, que tem mais de 40 funcionários, que tá virando a noite fazendo pão, que tá trabalhando muito e o dinheiro não tá dando. Disse que está namorando muito, mas que o coração dele está fechado. Perguntou como eu estou, minha mãe disse que eu fiquei triste mas que agora estou bem, que estou trabalhando muito.
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Claro que fiquei pensando muito. Que será que ele veio fazer aqui? Que orgulho ele teve que engolir pra correr o risco de me ver? Será que ele não se importa? Não sei.
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Quando cheguei no Rio, bastou Romain olhar nos meus olhos pra saber que algo tinha acontecido. Depois te conto, não, conta agora. Então, Emerson apareceu, foi lá na loja. Daí ele teve um ataque, disse que Emerson queria voltar pra mim, que me amava ainda, que só podia ser isso. E que diferença faz? Eu amo você, homem, bota isso na sua cabeça. Se você quiser voltar pra ele eu entendo, se você achar que deve dormir com ele pra fechar a tampa eu entendo. Entende porra nenhuma, porque se fosse o contrário eu não ia deixar você dormir com nenhuma ex-namorada, assunto encerrado.
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Falei com a prima sobre esse fato extraordinário. Ela disse que, como eu havia pedido, contou a ele que eu vou me casar com um francês e mudar pra França. Ele disse: ela deve estar feliz, sempre quis viajar pra fora. Silêncio. Ela não insistiu no assunto.

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Então passou um tempo que eu não sei quanto, fui e voltei ao Rio um tanto de vezes. Da penúltima vez aconteceu que quase que não fui, por causa de uma ex-namorada. Fiquei muito puta. Porque ele parece criança, contando coisas parcelado. Sabe o seu gato, aquele que passeia de vez em quando na rua? Pois bem, sabia que ele vive subindo no telhado? Até dizer que o gato se estabacou e morreu, demora séculos. Um dia ele estava aqui em Ruda e disse que teve uma namorada chamada Tereza. É incrível porque isso faz sei lá, mais de mês. Aproveitou um DVD da Elis Regina pra dizer que teve essa tal namorada, que é brasileira, que é atriz, e que deve fazer Elis no cinema. Tá bom , eu sei que não fui sua primeira brasileira (já me basta a história do "gostoso", já contei essa? depois eu conto). Aí depois de mais tantas semanas ele disse: Paollo vem pro Rio e ele conseguiu outro apartamento, bem mais barato. Pelo preço, achei
que fosse no pé do morro. Mas esses franceses não se importam, acham favela a última moda. Daí depois de mil anos eu liguei pra ele e ele disse: estou aqui, eu fulano, beltrano, Tereza, não sei mais quem... Quê??? Quem hein? Tereza, minha ex namorada. Mas tá tudo bem, ela é amiga do Paollo, ela é nossa amiga, tudo bem. Hein? E ela tá ficando no apartamento com vocês? Não, não, ela tem um apartamento no Rio, ela mora em São Paulo mas tem um ap no Rio. Vocês não estão dormindo na mesma casa não né? Não, estamos não. Aí eu comecei a criar uma porção infinitas de neuroses na cabeça. Que eles estavam lá e eu aqui, que ele vive me criticando e se eu visse essa tal e ela fosse do tipo que ele aprovasse ia ser barra. Se ele fizesse qualquer elogio na minha frente eu ia surtar. Não vou, enfim, não vou, não quero ir. Escrevi uma mensagem-tipo-carta no celular, dizendo que não ia pro Rio enquanto ela estivesse lá, que não estava preparada para conhecê-la, que não gosto de me relacionar com ex, que relação com ex é um troço escroto. Depois conversei com Walter no Skype - Walter é um amigo, que amigão querido. Ele falou, deixa de bobagem, Romain agora tem uma mulher única chamada Gabi. Ai, que fofo! Isso é história antiga, faz sei lá, um ano, história antiga. Romain ama você, vem pra cá, deixa de ser boba. Tá bom, vou pensar. Daí mais tarde conversei com Romain no telefone, horas de DR. Disse a ele que não ia aguentar, que era muito estressante (que é muito estressante), ir pro Rio
vê-lo, porque nunca sei o que colocar na mala. Que tudo que eu uso ele não gosta, que a minha vida já é uma merda, um estresse total, ainda vou pro Rio pra brigar com ele por causa de roupa, que coisa imbecil, ninguém merece. Ele me pediu tantas desculpas... Muitas, sorry,sorry,sorry... I promisse i'll try to change... Isso não tem nada a ver com o amor que eu sinto por você, é uma bobagem... Tá bom, eu vou.
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Daí eu fui pro Rio, respirei e fui. Cheguei lá, fomos à praia, fingimos que estava tudo bem. Cheguei e ele colocou uma camiseta de um azul-bic lindo, com desenho de dois bonequinhos tipo playmobil, vestidos de noivo e noiva, escrito "game over". O bonequinho com cara triste e a bonequinha com cara feliz. Achei fofo, mas não gostei da expressão do bonequinho. Game over pra gente também, pô! Enfim, daí acho que fomos na praia, no dia seguinte tínhamos que entregar o apartamento. Deu uma confusão ridícula entre mim e Romain, coisa de falha de
comunicação. A gente tendo falhas de comunicação que eu só comecei a ter com o Emerson depois de 6 anos de relacionamento. Não é uma falha na língua, é uma falha na compreensão, na vontade de entender o outro, na vontade de prestar atenção no que o outro diz. Por fim eu deixei minhas coisas no ap e Walter e Mattiew, coitados, tiveram que carregar minhas bolsas pesadíssimas pro tal do apartamento do Humaitá, ainda tiveram que pagar extra no táxi.
Uó, odeio dar trabalho pros outros. Se fosse comigo, não me importaria de carregar, mas dar trabalho pros outros é péssimo. Quando encontramos os meninos, Walter disse exatamente a mesma coisa que eu disse: seu namorado tem que aprender a pensar. Não é só porque está no Brasil que vai deixar de pensar. ô, péra lá, homem brasileiro também pensa. E eu, que sou mulher, tenho que me acostumar a pensar por dois? Fala sério, quem tem que pensar é
o homem, mulher mal tem neurônio pra mastigar chiclete e andar ao mesmo
tempo.
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Antes de voltar ao capítulo Tereza, vou falar do Walter. Walter é um homem maravilhoso, que homem maravilhoso. A esposa terminou com ele. Ele é um homem grandão, sabe, lindo de doer, um olho azul que faz inveja ao mar do Caribe, corpo branco perfeito, parece um vampirão. Mas ele é muito tímido e assustador. Muito sério, muito elegante, o homem mais elegante que conheci na vida. Só que a esposa terminou com ele. Ele veio pro Brasil e ela foi pra Índia. E ela mandou um e-mail dizendo que não queria mais morar com ele. Ficou frágil... Tentei ter coragem de conversar com ele. Conversamos, conversamos muito. Estava conversando com o rei, o rei me permitiu intimidade. Foi lindo entrar na intimidade da realeza. Saber que o rei tem sentimentos. Conversou sobre ele, conversei sobre mim. Tournou-se um amigo querido demais. Pouco tempo, depois que ele voltou pra Francça, escrevi uma mensagem no Facebook perguntando como ele está. Ele me respondeu com uma carta, falando uma porção de intimidades e dizendo que é ótimo continuar a conversar comigo, porque pensamos na vida de um jeito comum, a gente se
compreende. Me senti muito especial. Obrigada, Walter.
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Tem o Mattiew também, que é um cara bem, legal. Quando ele chegou, tãaao sério, achei até que fosse gay (cara, nada contra gays, pelamordedeus). Roupa combinandinho, ê homem elegante! Camisa pólo até pra dormir. E sério, muito sério. Aí depois fomos jantar e ele se soltou. Começou a fazer tanta palhaçada que eu me escangalhei de rir. Faz mágica, conta piada, promete que
vou ficar bêbada e voltar a comer carne em Paris. Um homem bonitão, de olhos azuis bem pequenos, 34 anos. Assistente de diretor, está largando o cinema pra montar uma pousada com vista pro Mont Blac. Ele é chique, mas é tão figura, tão gente, tão engraçado, que a gente até esquece que ele é chique. Adoro Mattiew!
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Voltando ao capítulo Tereza. Pois bem, depois do papo de terem que carregar minhas malas, fomos pro Humaitá. Aí eu conheci Paul-Edouard, o Paollo, o melhor amigo de Romain. Ele mora em Londres e é a cara, a cara mesmo, cuspido e escarrado, cópia-xérox-autenticada do Mauro, o Maurinho, meu namorado de quando eu era adolescente, aquele que tatuou meu nome no braço
em letras rúnicas. Ele é uma mistura perigosa entre o Matan e o Mauro, é um rapazinho, um garotinho! Quando o vi, falei, nossa, mas você é tão novinho! Ele disse não, eu tenho 29 anos! Mas puxa, parece 17! Ele riu, disse que às vezes pedem identidade pra ele comprar bebida e cigarros. Que menino simpático! Aí conheci Tereza também, aquele jeitinho cool, com roupas que tem toda cara que o Romain gosta, com o mesmo cabelo, meio que parecendo irmã dele. Ainda por cima paulista. Me deu vontade de vomitar. Ah, e tem mais. Sabe o tal do apartamento do Humaitá? Que eu achava que era tão barato que era no pé do morro? O apartamento é lindo, num lugar lindo, bem embaixo do suvaco do Cristo Redentor,o apartamento é da Tereza. É, dela mesma. E a partir de então eles passariam a dormir na mesma casa. Calmaí que eu não entendi. Eu em outra cidade e vocês dormindo no mesmo apartamento? Deixa de ser boba, isso é coisa do passado. Eu sei. Mattiew e Walter indo embora, fica ele e Paollo e ela no mesmo apartamento. Ele, o melhor amigo e a ex namorada. Mas ela não mora aqui, mora em São Paulo, é casada e depois vai embora. Depois quando? Sei lá, 2 semanas. Faz favor de não andar de cueca dentro de casa (porque os franceses só andam de cueca em casa, uma loucura!). Mas ela já me viu de cueca. E é por isso que você vai andar pelado? Faz favor!
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Eu já estava azeitada com esse papo de ex. Sabe, eu não tenho nada contra ela, não tenho nada contra menina nenhuma, quem me conhece sabe que eu até gosto de mulheres, gosto até demais. Adoraria ser lésbica se eu não gostasse tanto de pau tudo estava resolvido. Depois a gente conversou bastante, eu tentei me aproximar dela, falei um monte do Romain. Ela super discreta, uma menina boniiiita que só, educada demais, simples, na dela. Foi muito legal comigo, se importou com o fato de eu ser vegetariana e fez uma porção de comidinhas gostosas pra mim, virou amiga. Como eu digo ao Romain, ela não tem culpa de ter pegado ele no passado. Eles ficaramuns 3 meses juntos e ele ternimou com ela em circunstâncias que eu desconheço. Ela é legal, legal mesmo, fazendo um balanço, ela é super legal. Espero continuar a manter contato. Ela está me dando dicas e está sendo muito prestativa. Tereza, desculpa qualquer coisa e obrigada por tudo. Obrigada por ter emprestado o apartamento pros meninos, lhe sou muito grata. Agora ela está em São Paulo e atendeu meu telefonema com bastante simpatia. Obrigada, Tereza.
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Então, daí eu já estava irritada com essa história. E quando fomos sair, ele me falou: você não devia ter dito aquilo? Hein? Calmaí que eu tô boiando, não devia ter dito o quê? Que o Paollo parecia mais novo, ele pode ter se sentido ofendido, "its not polite". Hein? Allowwww! Sabe, eu tinha um problemão com o Emerson, que era esse papo de ele querer controlar a minha
boca. Eu odeio isso, ODEIO. Eu sou eu, eu sou eu faz 27 anos, quase 28. Sou uma pessoa querida, amada, tenho tantos amigos que infelizmente não tenho tempo para me relacionar constantemente com todos os amigos que eu amo. Não tenho inimigos diretos, ninguém declaradamente, não tenho problemas comportamentais. Sou uma pessoa mediamente bem sucedida, respeitada. Por que diabos quer controlar a minha boca? Sabe, eu acho que a gente não tem obrigação de gostar de todo mundo e nem todo mundo tem obrigação de gostar da gente. Se ele não tiver simpatizado comigo por causa do que eu disse, paciência! Fiquei puta. Mal tinha acabado de chegar e já estávamos discutindo. Ninguém merece.
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Naquela semana discutimos mais um sem-número de vezes. São discussões diárias, discussões inúteis, fúteis, sem-sentido. Não pula uma, não salta uma, toda-vez-que-vamos-sair-discutimos-por-causa-de-roupa. Não posso usar maquiagem ("vai lavar essa cara que não é carnaval, comigo você não sai assim!"), não posso usar minhas calças jeans porque ele acha feias, posso
usar bota, não posso usar tênis, também não posso sair de havaianas que nem ele. Tenho que estar do jeito que ele gosta, do jeito que ele quer. É diário. Controla o que eu como, como eu me sento, principalmente o que eu uso. Por favor, pára de se preocupar com o que as pessoas vão pensar de mim! Deixa que isso penso eu! Se as pessoas tiverem que gostar de mim, vão
gostar, se não, não vão gostar e pronto. Que saco! Que saco, que saco, que saco! Ô homem chato! Saí com ele uma porção de vezes mal humorada, mais uma vez voltei pra casa pra lá de injuriada.
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Vamos comprar sua passagem? NÃAAAOOO! Não estou preparada, não estou a fim! Passa amanhã!
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Falei com a Tereza, falei com o Paollo, falei pra ele, falei pra quem quisesse me perguntar e pra quem quisesse ouvir. Eu gosto do Romain, eu amo o Romain, mas não sei se quero ir com ele pra França. A gente briga muito, a gente discute por imbecilidades aqui imagina lá. E tem a faculdade também. Se eu não volto pra faculdade no segundo semestre tem grandes chances de eu
perder a vaga. E eu quero terminar a faculdade...
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*
*Andei pensando muito sobre o que eu quero da minha vida, andei pensando demais. De uma vez eu que eu fui ao Rio eu tomei uma chuva de lavar a alma. Enquanto a chuva caía com aquele pingos de balde em cima de mim eu ficava pensando. Será que é tarde pra recomeçar? Meu Deus, será que eu estou velha para recomeçar? O que eu quero da minha vida? Um momento super teste vocacional, aquela coisa de 18 anos. Eu vou fazer 30, meu Deus. Será que é muito tarde pra pensar, será que é isso que eu quero da minha vida? Não, não pode ser, não pode ser. Sabe, eu pra falar a verdade, nunca gostei de moda. Eu gosto sim, eu gosto muito, mas muito mais como consumidora do que como produtora. Eu larguei o Cetiqt não porque eu eu tinha casado ou porque eu não tinha grana ou tempo, mas porque eu descobri que eu queria mesmo era estudar História da Arte. Peraí, mas isso foi quando? 7 anos atrás. E o que aconteceu depois? Ah, depois eu me perdi, foi isso. Mas eu já sabia faz 7 anos atrás que eu queria mais da vida. Sempre falei durante o curso: se é pra ficar fazendo modinha, pra ficar pensando em camisetinha então eu não quero saber de moda.Adivinha qual é o meu trabalho hoje? Pensar em camisetinha.*Sabe, não é isso que quero pra minha vida, eu não quero viver nesse mundo
fútil. Eu não quero mexer com a vaidade das pessoas, não quero fazer com que as pessoas consumam coisas que elas não precisam, que se individem, que se matem pra comprar mais uma bolsa se elas já têm 20 no armário. Não me vejo fazendo isso no futuro. Quero fazer uma coisa boa, quero fazer diferença no mundo. Quero usar a minha comunicação para o bem, 100% para o bem. Se tenho o poder de fazer com que as pessoas falem, de fazer com que as pessoas me
ouçam, então eu quero usar isso para Deus, eu quero que da expressão do meu corpo e da minha mente só saiam coisas provenientes da palavra da Deus. Pregar, praticar o bem 100%. Quero voltar a estudar, quero fazer aquilo que eu mais gosto que é ler e escrever, estudar, produzir conteúdo. Quero me especializar em História da Arte (que eu sempre gostei, lembra?), pesquisar a arte e as manifestações nas religiões pré-cristãs, pesquisar de que forma podemos resgatar valores ancestrais para melhorar o mundo na atualidade. O início do Cristianismo, o cristão-primitivo, pré-romano, pré-católico. Tentar fazer um mundo melhor. Quero fazer mestrado, doutorado, pós... Quero fazer uma segunda faculdade, quero estudar Teologia. Quero voltar a me inserir na igreja, quero fazer parte de uma comunidade cristã. E mais. Tenho pensado em ser reverenda, plano pra daqui uns 10, 15 anos. Quero pregar a palavra de Deus ativamente na comunidade. Fazer com que as pessoas reflitam globalmente. De que forma podemos nos transformar e assim transformar o mundo? Quero escrever, quero publicar (cara, como eu quero publicar!), quero voltar a desenhar, pintar... Quero manifestar-me artisticamente em busca de
um mundo melhor, em busca de um mundo de Deus inspirado em valores primitivos. Uffff. É isso aí. Essa é a trilha, essa é a senda.
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Antes de ir embora conversei um pouco com Romain sobre essas minhas idéias de mudar a minha vida, de voltar a estudar. Ele escutou não tudo mas um pouco, sem nenhuma paciência. Achou bastante imbecil, fez cara feia. Detestou a idéia de eu querer me especializar nos estudos. Teve a cara de pau de dizer "não quero uma pessoa lendo e escrevendo dentro da minha casa o
dia inteiro", sendo que tudo que eu mais quero na vida é ser escritora. E ainda complementou com "e nem pense em ser professora! tudo menos professora!". Sem comentários. Deixei a conversa sobre a minha idéia em ser reverenda para um outro dia. Fui embora no meio dessa discussão.
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*
*Obviamente que cheguei em casa pesando um monte sobre o que queria da minha vida. A clareza de que é impossível morar em Rio das Ostras, não rola, não tem como. Eu amo a Pomy, eu AMO essa mulher, mas não dá pra fciar aqui. Vou rezar pra que ela consiga uma tranferência pra mim lugar melhor. Rio das Ostras é ótimo, uma delícia, lindo, com praias incríveis, um monte de gente boa, amigos queridos. Mas não é pra uma pessoa cosmopolita como eu. Eu preciso de impressões, de influências, de diferenças. Preciso estudar, terminar meu curso, fundamental. Preciso ir a cinemas, museus, casas de cultura, sarais... Preciso conhecer gente, ampliar os horizontes. Rio das Ostras é ótimo pra aposentados. Mas pra mim não dá. Ou eu volto pro Rio ou
eu volto pro Rio. Fiquei fazendo uma porção de planos de como seria minha vida no Rio. Como seria bom estar perto dos meus amigos novamente, como seria bom voltar pra facul, ficar longe mas perto, ver minha família, ir pra igreja, recomeçar... Seria muito, muito bom morar no Rio novamente. Mais uma vez, mais fortemente, passei a pensar que essa história de ir pra França
talvez fosse uma bobagem. Passei a ver minha vida muito claramente se fosse pro Rio e uma grande incógnita se fosse pra Paris. Como vou dizer pro Romain que não quero ir pra França?
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Ah, aconteceu um negócio legal quando estava voltando. Minha irmã tinha me pedido pra buscar o celular dela que ela tinha esquecido na casa do meu pai. Era dia das mães, mas mesmo assim eu resolvi passar lá. E eu conversei tanto com meu pai... Foi legal, bem legal. Acho que nunca conversei assim antes com ele. Meu pai é legal. Vacilão, coitado, vacilou muito na vida. Entendi
uma porção dos pontos dele. Cheguei até a pensar que tantas vezes ele teve mais razão que a minha mãe. Cheguei até a ficar meio irritada com a minha mãe. Vi um meu pai mais humano, um meu pai mais próximo e até mesmo bem intencionado. Quase agradável. Foi muito bom passar a manhã conversando com meu pai. Entendi mais de mim, entendi mais de uma porção de coisas que eu sinto. Essa coisa de gen é sinistra mesmo. Impressionante como a gente parece nossos pais. Eu sou uma mistura danada de mamãe e papai. Puxei coisas boas e coisas ruins de cada um. Quanto mais eu converso com eles, mais eu converso comigo mesma. Uma terapia excelente. Fiquei me sentindo mais leve, amando mais e mais amada.
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Mas aí eu cheguei tarde no almoço das mães e foi chatão. Minha mãe me tratou muito mal. A gente anda se estranhando. Logo ela, minha melhor amiga, a pessoa que eu mais amo no mundo. Pô mãe, vamos parar de brigar! Desde que voltei a morar com ela que nós estamos nos estranhando. Ela se comporta como se eu tivesse 15 anos e isso me irrita. Ela tem uma filha de quase 30. Não gosto que me controlem, não gosto que fique querendo saber onde estou, com
quem estou, se eu bebo, o quanto eu bebo. É bom compartilhar porque a gente é amiga. Mas daí quando passa de amiga a mãe-chata, que é coisa que eu nunca tive, complexa. E tem essa história de ir pra França, que está mexendo muito com ela. Tem o fato de a gente ser muito amiga e ser difícil separar e tem o trabalho.A gente tá muito mal de grana e quem trabalha com ela sou eu. Vai ficar mesmo difícil depois que eu for embora. Mas eu sempre estarei junto,
onde quer que eu esteja, prometo a ela e a mim mesma. Quero me afastar lentamente da Dona Robaine (ou não), porque quero me dedicar a um caminho bem pessoal. Mas deixa-la nunca, abandoná-la jamais. Felizmente a gente já conversou e já se entendeu.
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Aí fiquei aqui em Rio das Ostras mais sei lá, uns 3, 4 dias. Bate saudade. Aquele cara é chato, mas eu gosto dele. E tem muito pra gente conversar, tem muita pra gente decidir. Pensei que a gente tinha que fazer terapia, que a gente tinha que terminar de botar os pingos nos Is antes que eu pudesse pensar em talvez quem sabe ir pra França. Separei 2 pranchetas, papel pra escrever, seria bom a gente fazer uma terapiazinha básica. Falei com ele que não tinha grana nenhuma, expliquei por alto a minha situação financeira, disse mais do que claramente que dessa vez tá mais foda do que sempre. Não dá pra ficar indo pro Rio, não tenho grana nem pra botar combistível, porque eu não tenho grana nenhuma, tudo que tenho é um buraco no banco, que quando eu tiro qualquer centavo eu tenho que pagar juros. Ele entendeu, falou vem,
vem sim, pra mim é um prazer ficar com você.
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Fui pra lá com muita vontade de ficar com ele. Tereza, Walter e Mattiew já tinham ido embora, ficamos só eu, Romain e Paollo. Bom, sabe, bom. O apartamento é uma delícia. Os ares do Humaitá são incrivelmente melhores do que em Ipanema. Não é segredo pra ninguém que eu detesto Ipanema e aquele povo. Humaitá não, é legal, é no meio do verde, tem comércio, é gostoso, não tem aquela responsabilidade de estar na beira da praia, não tem tanto privilégio assim (apesar da gente praticamente ter o Cristo dentro da sala). Paollo é um cara legal, a gente conversa bastante. Depois chegou Jean-Baptist, posso te chamar de João Batista? Lindo, menino, que coisa mais linda da titia. Quando eu penso que chega de chegar homem bonito, chega
mais. Que manancial de gato que é essa França! Romain sabe mesmo como agregar homens bonitos. João é daquele jeito que carioca gosta: alto, sorriso escandaloso, olhos e cabelos escuros, pele bronzeada. Mas é tímido... No princípio eu achei que ele não gostasse de mim. Eu olhava pra
ele e ele desviava o olhar, com medo não sei de quê. Enquanto todos os amigos do Romain fazem de tudo pra que eu me sinta confortável, João se comportava como se estivesse com medo que eu o mordesse. Calma, neném, titia só morde quem deixa! hahaha
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Levei mala pra passar 4 dias. Cheguei na quinta, era pra ir embora no domingo de tarde, segunda de manhã no máximo. Tempo agradável. Quinta-feira eles cozinharam, Paollo tem uma mão pra cozinha que é uma loucura, jantamos em casa. Fomos pra Lapa, pro Estrela da Lapa, vimos show do Gerson King Combo (das antiiiiiiiiigas!). Maneiro. Sexta-feira fomos ao Cinematéque, quando conhecemos a Puri, uma gata linda, amiga queridíssima, que está
ficando com Paollo (ah, mas isso foi antes de JB chegar, não posso confundir, acho que isso foi na outra semana - como todos sabem, tenho problemas em encaixar os fatos nos lugares corretos).
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Domingo eu fui à igreja. Discutimos de manhã, ah, já tínhamos discutido no dia anterior, mas de manhã tivemos aquela desagradável falha na comunicação. Eu pensei que ele tinha me dito que ia à igreja comigo e fiquei esperando o desinfeliz. Saí atrasada, voando com o carro, enquanto ele me dizia que ia à praia. Depois da missa disse à reverenda que gostaria de conversar com ela.
Me convidou para ir à sua casa tomar um café. Foi tão bom! Absolutamente maravilhoso. Passei a tarde com a família da Inamar. Almoçamos, conversamos muito, pedi opinião dela, da Júlia e do Pedro. As palavras da reverenda foram muito, muito sábias. Não só palavras de uma pessoa inspirada por Deus, mas de uma mulher vivida, que já está no segundo casamento e que tem uma filha de 15 anos. Boa esposa, serva dedicada, mãe excelente. Vale ouvir os conselhos da Inamar. Eles todos me aconselharam a pensar demais se eu quero mesmo ir pra França. Mas ela me disse: tá bom, ele fica querendo que você faça concessões. Mas ele cede pra você? Ele também faz concessões? Porque relacionamento não vale se for via de mão única. Se só você ceder. Você tem que ter um relacionamento com compreensão, reciprocidade e respeito, senão
esquece. Sábias palavras.
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Aí cheguei em casa mais calminha. Ele estava sozinho me esperando, já tinha me ligado umas 300 vezes durante o dia. Eu saí 10 da manhã e só voltei quase 7 da noite. Ele fez comidinha pra mim. Falei que ia arrumar minhas coisas pra ir embora, tinha que ir de manhã bem cedo. Aí ele faz aquela cara de gatinho manhoso... Prrrrrrr... Ronronando... Vai não, vai não, mon amour...
Aí começa a falar que a gente vai passear, que promete que dessa vez vai me levar num jantar romântico, que vai ser lindo, que ele vai me dar um dia lindo. Ai... Gatinho... Tá bom, eu fico...
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Passamos um dia legal juntos. Fomos no Museu do Açude, tentamos ir na Casa Julieta de Serpa, mas estava fechada. Compramos filme pra ver em casa... Ficamos juntinhos, juntinhos, juntinhos. *
Na terça ele me deixou cortar o cabelo dele. Tem noção? Deixar cortar o cabelo dele? Tosar aquele Bovy-style, Besouro-suco-style? Então, ele deixou! Foi muito legal. Um momento lindo de confiança, me senti muito querida, muito especial. Meti a tesoura, depois passei máquina. FICOU TÃO LINDO, FICOU TÃO LINDO!!!! Tá um gatão. Estilo Justin Timberlake, estilo soldado.
Tem casal que quer enfeiar o amado, mas eu não sou assim não, eu quero o melhor pro meu amor. Me senti mais segura com ele e ele se sentiu mais seguro comigo. Comecei a amá-lo ainda mais, se é que isso é possível.
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Pode comprar a minha passagem, agora eu tenho 100% de certeza. Eu quero ir. ***Não quero mais viver sem ele. Depois de dez dias de choque inicial, depois de 3 meses de espera, depois de quase 3 meses de brigas, agora posso dizer: eu já o conheço o suficiente para querer ir. Eu não quero mais viver sem ele. Romain, eu não quero mais viver sem você.
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Então acabei viajando pra Ilha Grande com ele. Ai, foi tão lindo... Fazia o quê, 6 anos que não ia lá, a última vez foi com o Emerson e aqueles episódios de chuva e brigas infernais. Foi uma viagem bem linda. Os meninos são companhias muito agradáveis, Paollo e JB. Passeamos de barco, fomos à Lagoa Azul (onde mergulhei pela primeira vez). Foi tão lindo nadar com
snorkel e nadadeira, fiquei triste por ter um equipamento tão bom aqui em casa e nunca usar. Dia desses vou nadar aqui em Ruda com snorkel e nadadeira. Passei a mão em tartaruga, vi peixinho... A gente está tão feliz, tão feliz, tão se amando... Conheci gente nova, um pessoal lá da Suíça, umas meninas bacanas... Que gostoso ele dirigindo. Foi muito bom. No passeio de
barco teve uma parte bem legal. O barco parou a tipo uns 100 metros de uma praia, a Praia do Amor. O moço do barco disse que a praia era encantada, que o casal que fosse até lá, escrevesse o nomo na areia e desse um beijo, iria ficar junto pra sempre. E disse que a água era gelada... Eu falei, água fria não... E Romain se tacou na água e foi nadando até a praia. Ui! Paollo olhou
pra mim e disse: agora você tem que ir. Tem que ir, né? É. Então botei a nadadeira e fui. Escrevemos os nossos nomes, fiz um coração em volta e demos um beijo. Foi lindo. Muito legal a iniciativa dele de ficarmos juntos para sempre. Ele está se comportando de um jeito bacana... Confiando em mim. Me deu dinheiro pra eu guardar, porque sabia que eu não tinha. Foi legal. Cada vez mais legal.
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Estamos muito apaixonados. A gente transa umas 10 vezes por dia. Tá bom, eu sei, isso não é coisa de se escrever em um blog público, mas é verdade. É uma necessidade de ficar junto dele, uma necessidade de tê-lo dentro de mim, só pra mim, só pra mim... Estou muito apaixonada. Nunca tive orgasmos como estou tendo agora. A gente tem uma energia, uma cumplicidade na cama. Eu passei muitos anos sem sentir prazer, parece que agora tudo está acontecendo
de uma forma natural. A gente se pergunta: por que é tão bom? Porque nós nos amamos. Porque eu amo você e você me ama, é por isso. E isso gera uma energia belíssima, de puro bem, 100% de Deus.
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Depois eu quis ir na casa da Mari pra pegar roupa. Pô, trouxe roupa pra 4 dias e acabei ficando, ficando... Tudo roupa repetida, tudo roupa suja. E ele quer me ver com roupa diferente, né, quer me ver bonitinha todo dia. Fui lá na Mari com ele, escolheu roupas comigo, escolhemos roupas que nós dois aprovamos. Na hora de sair... Adivinha? Pois botei exatamente um vestido que
ele deu um ataque. Preto. preto não, preto não pode, preto é cor triste. Onde diabos esse cara arrumou que preto é cor triste? Minha cor preferida! Troca, com esse você não vai. Fiquei chateada, mas tá bom, eu troco meu bem. Escolhemos uma calça jeans coladinha e uma blusa de tricô listrada. Ele foi pra sala. Fui de mansinho e sentei do lado dele. Meu bem... Ô meu bem...
Posso botar a bota, eu queria tanto calçar minha bota linda nova, deixa... Não. Você sabe, não, não dá, calça qualquer sapato, a bota não dá. Voltei pro quarto quietinha. Sentei na cama, com cara de paisagem. Fiquei pensando, fiquei pensando... Por quê? Mas será possível? Fiquei com cara de quem ia chorar. Aí ele veio e sentou do meu lado. Tive uma crise de choro, uma
crise... Chorei tanto... Ele fica, por favor, fala comigo, fala comigo... Você não está feliz, se estivesse feliz não estava chorando... Fala comigo... Eu chorei, chorei, chorei, chorei de soluçar. Aí comecei a falar. Sabe o que é? É que não é a bota. Bota, maquiagem, cor... Não é nada disso,
bota é só um objeto. A questão é controle. Você quer me controlar, controlar nos mínimos detalhes. Quer um controle-remoto. Pra decidir meu mínimos passos, se possível até meus pensamentos. E assim não dá... Te digo como amiga: ninguém vai te suportar. Nem eu nem ninguém. Tá certo, eu não calço a bota, nunca mais. Só que eu preciso, eu PRECISO que você me respeite. Que compreenda nossas diferenças. Só quero que você aceite que somos diferentes.
Como vai ser na França? Ai, que chato ter que ficar repetindo a mesma coisa o tempo todo... Pareço um disco empenado! Todo dia, todo dia a mesma briga... Que coisa!
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Chato sair de casa depois de ter chorado. Mas foi legal. Fomos pra Lapa, a Mari também foi, dançamos muito, Frescoball, digo, JB, ficou com uma menina, Puri dormiu lá em casa. Tudo legal. Amanhã, último dia do JB. Tchau, Frescoball, boa viagem!
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Ele meio que fica tentando falar umas coisas pra me impressionar, eu acho, pra ver se eu me deslumbro. Diz que vai me dar cartão de crédito, que vai me dar iPod. Caguei. Continuo com a minha cara de paisagem. Enquanto não é meu, nem é comigo. O computador que ele me deu está aqui, quietinho, hibernando embaixo da minha mesa. Não sou pessoa deslumbrada. Se quisesse dinheiro, estava onde estava. E além do quê, estamos cansados de saber que ele não é rico. E se fosse, não mudaria nada. Talvez fosse um pouco mais chato... hihih
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Tentamos comprar a minha passagem no Rio, mas não deu, precisávamos do meu passaporte. Compramos passagem pra ele e Paollo viajarem pra Salvador, eles foram na quarta-feira. Agora, nesse momento, estão em Lençóis Maranhenses. Voltam no dia 13. Uma viagem bem bacana, difícil negar. Mas se eu estou decidida a ir, tenho que resolver uma série de pendências. Não quero deixar mágoas, não quero deixar rabos. Tenho que legalizar a empresam resolver a
comunicação da Dona Robaine, vender o carro... Tenho muitos afazeres, não posso desperdiçar essas semanas. Claro que conhecer o nordeste não seria disperdício, mas sem dúvidas um retardo nos meus afazeres.
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Comprei a minha passagem daqui. Ele me deu o cartão de crédito dele. Muita confiança. Tá certo, ele não me deu a senha, mas ainda sim foi uma confiança. Ele diz que vai me dar um cartão de crédito mesmo. Acho que ele já sacou que eu sou responsável e econômica. Sacou rápido. Muito mais que ele, aposto. Mas acabou que não consegui comprar com o dele por causa de uma
série de exigências, só faltaram pedir atestado de óbito da bivó. Vou ter que comprar com o meu, mas só segunda-feira, porque paguei com atraso e ainda não liberou. Data de ida: 8 de julho. É, falta bem pouquinho... A volta está marcada pro dia 8 de outubro, mas é uma data simbólica. Eu disse a ele: a data de volta não importa. Ou eu volto, ou não volto. Acontece que, pra eu ficar lá, precisamos casar. Isso aí depende de pra que lado a biruta está virada.
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Mas ele até que está se comportando bonitinho. Depois do meu ataque de choro ele redobrou os cuidados. Ele fica toda hora falando que quer muito que seja tudo perfeito, que quer muito que eu seja feliz. Está preocupado que eu aprenda francês, que eu encontre um curso pra estrangeiros por lá. Pediu que eu ligasse pra Tereza, porque quando ela foi pra lá não falava. Ela me deu a dica da Sorbonne, mas eu vi na internet uns cursos com preços estratosféricos, foríssima da minha, da nossa, realidade. Nem falei com ele ainda. Ele quer que eu veja a questão da universidade, quer me ajudar. Os amigos dele também, são uns fofos... Mattiew já me ofereceu emprego no restaurante de um amigo, eu acho ótimo! Estou mesmo preocupada em trabalhar logo. Não gosto da idéia de ficar dependendo da grana de Romain. Matmat disse que ele e Walter estão combinando de me buscar no aeroporto, já que Romain não tem carro. Legal! Saudade dos meus amigos! Romain não quer que eu trabalhe agora, só em setembro, porque provavelmente ele também só volta a trabalhar em setembro. Quer viajar comigo pela Europa, me mostrar lugares especiais, me apresentar pessoas... Já pensou? Gabriela Robaine, diretamente de São-Cri-Cri, nas Zoropa? Já pensou? Eu agora vejo isso tão próximo... Mas
a minha educação de brasileira pobre me faz continuar a só acreditar quando acontecer. Pés no chão, sem deslumbramento. Quando acontecer, vai acontecer. São Tomé. É ver pra crer. Também não sei se vou aceitar não trabalhar logo. A parte fofa disso é que a minha passagem de volta está marcada pra outubro. Se ele quer que eu só comece a trabalhar em setembro, então ele não quer que eu volte. E pra que eu não volte, vocês já sabem o que tem que acontecer...
Será? Nem sei se eu acredito. Nem sei se eu mereço.
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E tem o irmão dele, que também é super legal comigo. Me chama de "irmã", de "a coisa mais linda da Família Bovy". Fofo demais! Disse que está feliz com o fato de eu chegar lá no início do verão. Me mandou uma porção de fotos do apartamento que vamos morar. Ele me dá muita segurança em relação ao desejo que tem que eu faça parte da família. Disse "o apartamento é pequeno, mas está bom para vocês começarem". Muito lindo! Pra ele a gente já vai casar,
já está casando. Ele quer tanto isso... Muito lindo. Abençoado seja. Eu não sei se ele vai ficar com a gente no ap, mas parece que no início vai. Eu adoro aquele menino, acho a companhia dele uma delícia. Só não gosto do clima de férias da casa. Na verdade eu não sei se eles são assim quando não estão de férias. Mas não gosto de bebida dentro de casa, cigarros, drogas, música alta à noite. Não sei se eles são assim, mas não quero essa energia dentro da minha casa, se vai ser a minha casa. Tudo que quero é ficar tranquilinha com Romain, tudo que quero é recomeçar a minha vida com ele, só nós dois. Vai ser muito bom, eu tenho certeza. Eu o amo e ele me ama também.
Não tenho dúvidas de que vai ser muito bom.
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Tem a questão dos embates morais, que são por demais filosóficos e às vezes até um pouco chatos. Ele me chama de "naif", diz que eu sou cabeça fechada, antiquada. Mas isso diz na hora, depois ele me compreende e até me dá razão. Eu não consigo pensar nessa coisa particupar, nessa coisa prazer-pessoal. Eu penso global. Penso que fazemos parte de uma comunidade e que a nossa comunidade faz parte de uma imensa comunidade que é o planeta Terra. Tudo,
nos mínimos detalhes, que possamos fazer, já ajuda. Ser uma pessoa boa. Não comer carne, não usar drogas, não deixar a torneira aberta, dar bom dia ao vizinho. Tudo faz parte de um pensamento global. Às vezes ele não entende. Outro dia me pediram pra ligar pra um traficante, pra pedir tantos gramas de maconha não sei de quê, pra marcar de encontrar não sei aonde... Falei, ó cara, me pede qualquer coisa, mas isso eu não faço não. Mas é só um telefonema, não é pra você, deixa de ser boba... Ó, isso eu não faço não. Eu penso com a minha cabeça. Me orgulho de ser uma pessoa madura, de não ser maria-vai-com-as-outras, de ter minha moral. Não participo. Não preciso usar drogas, não preciso encher a cara pra me divertir. Eu já tenho quantidade suficiente de drogas no sangue. Não participo de atividades ilegais, não participo de nada que abertamente saibamos que é um câncer na sociedade. Quero deitar minha cabeça no travesseiro e dormir bem. Tem outras coisas também, que eu não posso contar aqui, porque por incrível que pareça, é ainda mais pessoal. O fato é que vez em quando a gente briga também por
questões morais. Na hora ele dá um ataque, depois ele entende e até me dá razão. Talvez isso faça com que ele me respeite mais, faça com que ele me veja como alguém de cabeça feita, talvez até uma boa mãe. Espero, gradativamente, conquistar esse respeito dele, e que isso se espalhe para todas as áreas. Que aceite minhas opiniões, que me ouça, que me deixe fazer parte. Que possamos ser companheiros.
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Segunda-feira eu confirmo a minha viagem. Gente, estou indo, estou indo mesmo, acreditam? 8 de julho. Incrível. Estou feliz. Eu quero muito ser feliz com ele. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos permita seguir essa jornada juntos.
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Espero que ele esteja se divertindo com Paollo lá no nordeste. Estou muito feliz por eles. Não estou com muita saudade, sei que a gente spo vai se ver dia 13. Estou controlada e tranquila. Agora eu sei que vamos ficar juntos e eu sei que é isso que ele quer e que ele vai lutar por isso.
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A música de hoje é da Marisa Monte, a musa de mármore, irretocável. "Bonde do Dom".
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"Novo dia
Sigo pensando em você
Fico tão leve que não levo padecer
Trabalho em samba e não posso reclamar
Vivo cantando só para te tocar
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Todo dia
Vivo pensando em casar
Juntar as rimas como um pobre popular
Subir na vida com você em meu altar
Sigo tocando só para te cantar
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É o bonde do dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carregam um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue
A sede de ti..."
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Eu amo o Romain. E amo a idéia da gente ficar junto.
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